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Entenda por que Trump quer controle permanente da segurança da Groenlândia após acordo com a Dinamarca

André Silva | Publicado em: - Atualizado 1 mês atrás

Entenda por que Trump quer controle permanente da segurança da Groenlândia após acordo com a Dinamarca
Washington poderá ampliar presença militar na ilha, considerada estratégica para defesa e controle do Ártico - Foto: iStock

Os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia chegaram a um acordo para ampliar a presença militar americana na ilha, após meses de pressão do presidente Donald Trump. Em publicação nas redes sociais nesta sexta-feira (18), Trump afirmou que o entendimento dará aos EUA capacidade permanente para agir na Groenlândia em nome da segurança e que Washington terá “controle permanente sobre a segurança e todas as outras necessidades” do território.

Segundo o presidente americano, o acordo permitirá que os Estados Unidos tenham “a capacidade completa, para sempre, de fazer o que for necessário na Groenlândia para garantir e defender a segurança da Groenlândia e dos Estados Unidos da América”. Trump também afirmou que nenhum adversário poderá manter uma base ou presença militar na ilha, nem realizar investimentos considerados sensíveis, sem a autorização expressa e por escrito de Washington.

A declaração gerou uma reação cuidadosa de Copenhague e Nuuk. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que o acordo reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca, além do direito dos groenlandeses à autodeterminação. A Dinamarca também indicou que o entendimento deverá respeitar suas condições, enquanto a Otan avaliou que o pacto pode reforçar a segurança e a estabilidade no Ártico.

Por que a Groenlândia?

O acordo ocorre depois de Trump transformar a Groenlândia em uma das principais questões geopolíticas de seu segundo mandato. O presidente americano vem defendendo que a localização da ilha é estratégica para a segurança dos Estados Unidos diante da atuação de Rússia e China no Ártico, além de destacar a importância das novas rotas marítimas da região e da estrutura de defesa americana instalada no território.

A Groenlândia também possui reservas de minerais considerados críticos e outros recursos naturais, o que aumentou o interesse internacional pela ilha. Integrantes do governo Trump já associaram esses recursos à segurança econômica e estratégica dos Estados Unidos. O presidente, porém, afirmou posteriormente que seu interesse principal no território está relacionado à segurança nacional, e não aos minerais.

A ofensiva americana havia provocado uma crise diplomática com a Dinamarca. Trump chegou a defender publicamente que os Estados Unidos assumissem o controle da Groenlândia e não descartou o uso da força para atingir esse objetivo. Dinamarca e Groenlândia mantiveram, durante todo o período, a posição de que a ilha não está à venda.

Agora, o novo acordo amplia a atuação americana na segurança da Groenlândia sem estabelecer formalmente uma transferência de soberania. Os detalhes sobre o tamanho da presença militar dos EUA e os limites do chamado “controle permanente” anunciado por Trump ainda precisam ser definidos.

André Silva

Bastante ativo na cobertura cultural, ja foi contemplado com o Prêmio Themis de Jornalismo, concedido pelo TJRS. Além da cultura, caminha por várias editorias, inclusive em cobertura de eventos internacionais, como a Cúpula do G20 e o encontro dos Brics. Instagram: @andrre.sillva

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