A tensão no Oriente Médio atingiu um novo patamar após Israel realizar duas ofensivas contra uma das principais usinas petroquímicas do Irã. Em resposta, o governo persa confirmou ataques a instalações na Arábia Saudita e anunciou o fim das restrições para novas operações militares, sinalizando um agravamento que ameaça a estabilidade do mercado global de energia. Em paralelo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um ultimato ao país prometendo exterminar a civilização do Irã.
Autoridades israelenses comunicaram a intenção de bombardear a malha ferroviária iraniana. Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou a ameaça nesta terça-feira (7), alertando para consequências devastadoras, em publicação feita pelas redes sociais. O governo estadunidense acenou com a possibilidade de uma operação militar de grandes proporções contra o país, que possui cerca de 90 milhões de habitantes.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) declarou o fim da política de contenção adotada até então. “Os parceiros regionais dos EUA também devem saber que, até hoje, por uma questão de boa vizinhança, exercemos imensa contenção e mantivemos considerações na seleção de alvos para retaliação, mas, a partir de agora, todas essas considerações foram eliminadas”, afirmou a IRGC em nota oficial.
Ofensivas de Israel e Estados Unidos
Nas últimas 48 horas, Tel-Aviv atingiu o complexo petroquímico de Shiraz, unidade estratégica para a produção de fertilizantes. Segundo as Forças de Defesa de Israel, o local era utilizado para a síntese de ácido nítrico, componente de explosivos. Outra unidade em Bushehr, no sul do Irã, também foi alvo de ataques conjuntos. A Companhia Nacional de Petroquímica (NPC) do Irã informou que avalia a extensão dos danos.
Relatos de fontes militares sob anonimato, divulgados pela agência Reuters e pelo portal Axios, indicam ataques à ilha de Khang, ponto nevrálgico por onde circulam 90% das exportações iranianas de gás e petróleo. Até o momento, Teerã não confirmou esta ofensiva específica.
Retaliação e Impacto Global
Como resposta direta, o Irã afirmou ter atingido o polo petroquímico de Jubail, na Arábia Saudita, considerado um dos maiores centros do setor no mundo. “Vamos lidar com a infraestrutura dos Estados Unidos e de seus parceiros de tal forma que os Estados Unidos e seus aliados fiquem privados do petróleo e gás da região por anos”, pontuou a Guarda Revolucionária.
O governo da Arábia Saudita ainda não se manifestou sobre os impactos das explosões. Segundo a IRGC, os alvos incluem unidades com participação de empresas norte-americanas como ExxonMobil, Dow Chemical e Chevron Phillips. Além disso, o Irã relatou o bombardeio de um navio porta-contêineres de bandeira israelense próximo ao porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes. “A destruição deste navio serve como um alerta severo para qualquer embarcação que tente cooperar com o regime sionista e os Estados Unidos”, diz o texto da IRGC.
Balanço de Vítimas
Dados da Agência de Direitos Humanos do Irã (HRANA) apontam que 109 pessoas morreram nas 24 horas encerradas na segunda-feira (6). O levantamento indica que o conflito, intensificado desde 28 de fevereiro, já resultou na morte de 1,6 mil civis, sendo 248 crianças, além de 1,2 mil militares e 711 óbitos com status ainda não identificado.