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Violência sexual atinge 1 em cada 4 adolescentes no Brasil, revela IBGE

Redação | Publicado em:

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Adolescentes brasileiros enfrentam aumento de casos de violência sexual, segundo pesquisa
Adolescentes brasileiros enfrentam aumento de casos de violência sexual, segundo pesquisa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Um em cada quatro adolescentes do sexo feminino no Brasil já sofreu algum tipo de violência sexual, como toques, beijos forçados ou exposição íntima sem consentimento. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar.

O levantamento ouviu mais de 118 mil estudantes de 13 a 17 anos em todo o país e mostra um cenário preocupante: houve aumento de 5,9 pontos percentuais em relação a 2019 entre meninas que relataram esse tipo de violência.

Além disso, 11,7% das adolescentes disseram ter sido forçadas ou intimidadas a manter relações sexuais, crescimento de 2,9 pontos percentuais no período.

Milhões de vítimas e violência silenciosa

Os números revelam a dimensão do problema: mais de 2,2 milhões de estudantes sofreram assédio sexual e cerca de 1,1 milhão foram vítimas de relações forçadas.

Segundo o IBGE, muitas vítimas não reconhecem imediatamente a violência, seja por falta de informação ou por fatores sociais e culturais. Por isso, a pesquisa separou diferentes tipos de abuso para facilitar a identificação dos casos.

Crimes acontecem cedo e dentro de casa

Um dos dados mais alarmantes está na idade das vítimas. Entre os adolescentes que relataram relações forçadas, 66,2% disseram que o abuso ocorreu aos 13 anos ou menos.

A maioria dos agressores está no círculo próximo das vítimas:

  • 26,6% são familiares
  • 22,6% são namorados ou ex-namorados
  • 16,2% são amigos
  • 8,9% são pais, padrastos, mães ou madrastas

Nos casos de assédio (toques e beijos forçados), conhecidos, familiares e até desconhecidos aparecem com frequência semelhante.

Escolas públicas concentram mais casos graves

A pesquisa aponta que a violência mais grave é maior entre estudantes da rede pública:

  • 9,3% relataram relações forçadas
  • 5,7% na rede privada

Já o assédio sexual aparece de forma semelhante entre os dois sistemas de ensino.

Gravidez precoce e falta de proteção preocupam

Outro dado preocupante é o da gravidez precoce. Cerca de 121 mil adolescentes já engravidaram, o equivalente a 7,3% das que iniciaram a vida sexual — sendo quase todas da rede pública.

Estados como Amazonas, Maranhão e Pará apresentam índices acima de 10%.

Além disso, o uso de preservativo diminui com o tempo:

  • 61,7% usaram na primeira relação
  • 57,2% na relação mais recente

O levantamento também mostra uso frequente da pílula do dia seguinte, indicando falhas na prevenção.

Início precoce da vida sexual

Embora o número total de adolescentes sexualmente ativos tenha caído, os dados indicam início precoce:

  • 36,8% tiveram a primeira relação com 13 anos ou menos
  • Idade média: 13,3 anos (meninos) e 14,3 anos (meninas)

No Brasil, a idade mínima de consentimento é 14 anos, e relações abaixo dessa faixa podem ser enquadradas como crime.

Alerta para saúde e proteção

Os dados reforçam um alerta urgente sobre a necessidade de políticas públicas de proteção, educação sexual e apoio às vítimas. A pesquisa evidencia que a violência sexual entre adolescentes é frequente, muitas vezes silenciosa e, em grande parte, praticada por pessoas próximas.

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