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    Pressão por mudanças

    Parque da Cidade: mãe de piloto pede homenagem e voos seguem suspensos

    Prefeitura espera regras nacionais após tragédia

    Publicado 28/08/2025 às 8:47 | Atualizado em 28/08/2025 às 8:57 | Autor: Ezequiel Manhães
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    Rampas podem levar os nomes das vítimas
    Rampas podem levar os nomes das vítimas |  Foto: Arquivo / Gabriel Rechenioti

    As rampas de voo livre do Parque da Cidade, em Niterói, permanecerão interditadas até que haja uma regulamentação nacional para a prática. A decisão foi reforçada durante uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (27) na Câmara Municipal, que terminou sem uma definição sobre a cessão do uso das rampas. A medida segue recomendações da Procuradoria Geral do Município (PGM), que analisa juridicamente o caso.

    Durante a audiência, houve comoção com a sugestão de renomear as rampas em homenagem às vítimas do acidente ocorrido no último dia 9 de agosto, quando um voo duplo terminou em tragédia. A proposta foi feita por Dulce Calor, mãe do piloto Luan Calor Cannelas Gomes da Silva, uma das vítimas. No acidente, a passageira Vanessa do Nascimento Alves também perdeu a vida.

    O secretário Executivo da Prefeitura, Felipe Peixoto, destacou a importância de aguardar a regulamentação nacional do voo livre. Ele mencionou o projeto de lei do senador Carlos Portinho (PL-RJ), já aprovado no Senado, que propõe normas para voos duplos e aulas práticas. A proposta agora segue para votação na Câmara dos Deputados, antes de ir à sanção presidencial.

    Os instrutores de voo livre são os responsáveis pela formação de aerodesportistas que desejam saltar com parapente e asa-delta, por exemplo. Já os pilotos de voos duplos acompanham praticantes sem experiência durante as quedas livres feitas com equipamentos não motorizados, como paraquedas e parapentes.  

    "Enquanto essa regulamentação não for definida, não há hipótese de liberar a pista. Estamos falando de vidas humanas. Essa foi a orientação direta do prefeito Rodrigo Neves após o acidente. A gestão do espaço é da Secretaria de Meio Ambiente, que está conduzindo esse processo com base em pareceres da PGM", afirmou Felipe Peixoto.

    O secretário de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Recursos Hídricos, Gabriel Velasco, afirmou que, antes mesmo do acidente, já vinha cobrando providências à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo ele, a Prefeitura já possui parecer favorável da PGM para a cessão do uso da rampa, mas ainda estuda a melhor forma de realizar isso, seja por meio de edital ou acordo entre os clubes de voo.

    “Estamos correndo contra o tempo para resolver essa questão. Já recebi mais de 20 pilotos, estamos ouvindo todos. A Prefeitura não tem interesse em favorecer ninguém nem cobrar taxas indevidas. A gente quer que as condições ali sejam as mais favoráveis possíveis", explicou Velasco.

    Natanael de Azeredo, diretor técnico regional da Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL) reconheceu as falhas em Niterói.

    "Infelizmente, Niterói é hoje a única rampa que não possui um sistema de fiscalização adequado. Isso poderia ter evitado muitos acidentes", enfatiza.

    Aplicador de provas e avaliador de pilotos em diferentes níveis, Azeredo destacou a importância dos trabalhos das federações e confederações, que são instituições dedicadas à formação, avaliação e evolução dos esportistas do voo livre.

    “A Anac [Agência Nacional de Aviação Civil] não ensina ninguém a voar e não identifica quem é piloto nem qual o nível de experiência do praticante. O que ela reconhece é apenas a operação em espaço aéreo. Já o conhecimento sobre quem realmente voa, quem está apto a realizar voos duplos ou participar de competições é responsabilidade das federações e confederações".

    A audiência foi marcada por momentos emocionantes, principalmente com o depoimento de Dulce Calor, mãe de Luan Calor, fiscal de pátio da Infraero no Aeroporto Santos Dumont. Ela pediu união entre os pilotos e cobrou mais responsabilidade do setor.

    “Foi muito difícil pegar a certidão de óbito do meu filho. Não sou piloto, mas percebi que esse problema já vem de muito tempo. Vocês precisaram chegar a esse ponto para se unirem? Vejo desunião entre os clubes. Vocês amam o que fazem, então se unam por esse trabalho. Meu filho era determinado, maravilhoso, e eu gostaria que a rampa tivesse uma placa com o nome dele”, disse Dulce.

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    Ezequiel Manhães

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