Política

Dayse Oliveira: 'Eu quero é quilombar São Gonçalo'

Graduada em História, Dayse Oliveira é mestre em Educação e atua como professora da rede estadual. Fotos: Karina Cruz

Por Matheus Merlim


Única mulher na disputa pela Prefeitura de São Gonçalo nestas eleições, a professora Dayse Oliveira é a candidata do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) para garantir o que a legenda chama de 'revolução socialista' para a cidade. Aos 54 anos, a educadora promete —  caso eleita — governar com 'conselhos populares'. As decisões sobre a administração da cidade, segundo a docente, devem partir do trabalhador que é 'quem melhor entende os problemas'. Sem coligações, o partido traz como candidato a vice-prefeito na chapa, o também professor e historiador Roberto Baeta.

Graduada em História e mestre em Educação, Dayse é professora da rede estadual de educação. Militante do movimento Reviravolta da Educação, já foi coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe) e da Central Sindical e Popular CSP-Conlutas. Também atua no movimento negro ‘Quilombo Raça e Classe’ e no ‘Movimento Mulheres em Luta’, dos quais é fundadora.

  • Por que São Gonçalo precisa de Dayse Oliveira como prefeita pelos próximos quatro anos?

Porque é uma cidade marcada pela precariedade. São Gonçalo não precisa de pequenas mudanças, precisa de uma revolução. Até agora todos os prefeitos de São Gonçalo governaram para uma minoria. Eu não estou querendo me candidatar para ficar falando mentira. Tudo bem, é mais fácil acreditar em mentiras, tipo: ‘vote em mim que eu vou resolver tudo para você e você segue com a sua vidinha na sua família’. Não, não é isso que eu estou querendo dizer. É ‘vote em mim e lute também’. Vamos nos unir, vamos nos reunir, por isso queremos implantar conselhos populares. Eu quero fazer o conselho popular com representantes dos trabalhadores com revogabilidade de mandato.

  • O que a senhora considera como principal problema na gestão atual de São Gonçalo?

A desigualdade. É uma gestão como foi a de Neilton, Aparecida e Charles. Foi gestão para manter as coisas como estão. Manter desigualdade social, manter o alto índice de desemprego, precariedade na Educação, manter a destruição e privatização da Saúde. Tanto que a família do Nanci teve problemas com a Covid e foram se tratar fora de São Gonçalo. Então, vamos querer mudar essa situação com conselhos populares.

  • E o que a senhora faria de diferente para resolver esse problema?

Vamos mobilizar a população para conseguir os recursos, que vêm do Estado, do governo federal. Os conselhos populares vão controlar essas verbas, porque eu quero governar com os trabalhadores. Porque o empresariado até então, os grandes comerciantes, só tem ganhado. Eu vou governar para quem tem perdido, que é a população negra e pobre de São Gonçalo. Mas são eleições altamente antidemocráticas, por isso eu não tenho tempo de televisão, por isso eu vou ter menos espaço. Por isso estou usando o espaço das eleições para apresentar outro projeto de sociedade, uma outra proposta de gestão. Eu não quero melhorar um troço que não tem funcionado. O capitalismo já deu, não dá certo.

  • Qual a análise que a senhora faz de seus adversários?

Sou uma alternativa revolucionária e socialista para São Gonçalo. Os meus adversários querem governar com essa Câmara, eleita boa parte na base do ‘trabalha para mim, vote em mim’, em processos altamente despolitizantes, controlados por dinheiro. A minha diferença com os meus adversários é que eu quero fazer uma reparação histórica em São Gonçalo. Sou do movimento negro e de mulheres. São Gonçalo é essa coisa aí porque mora trabalhador, preto e pobre. Os outros candidatos não. Eles querem melhorar dentro disso que está aí. É o famoso estado de financiamento mínimo para os trabalhadores. Eu não quero governar com essas regras.

  • A disputa eleitoral em São Gonçalo tem o costume de ir ao segundo turno. Caso a senhora avance, há possibilidade de se estabelecer alianças com adversários?

Não. Aí eu vou mentir, não vou fazer revolução, vou fazer melhoria da precariedade, da miséria. Não vou fazer isso, senão estaria me contradizendo. Pelo contrário, segundo turno vou radicalizar. Sou a única mulher. E as mulheres que acreditam nelas estão votando em mim. A mudança vem da indignação e de apontar um caminho diferente.

  • E se a senhora não estiver numa disputa de segundo turno, vai apoiar alguém?

A gente ainda não tem nenhuma discussão com relação a isso. Vamos ver o programa. Se tiver um programa para mentir para os trabalhadores, para manter o financiamento mínimo para os trabalhadores e máximo para quem sempre teve tudo, não vou apoiar. Infelizmente, é essa que parece ser a tendência, mas tudo muda o tempo todo no mundo e eu acredito em mudanças.

Igualdade

A candidata aposta na mobilização popular e considera falido o modelo de administração atual. Foto: Karina Cruz

A prefeitável acredita que a luta e a mobilização popular sejam fatores determinantes para o crescimento da cidade. A candidata promete dar início à construção de uma 'revolução socialista' em São Gonçalo.

"Como nós acabamos com uma escravidão que durou quatro séculos? Dizer que o povo brasileiro não luta é para quem não conhece a história. Eu vou usar a Prefeitura para as pessoas saberem dessa história, que não foi a princesinha Isabel que assinou a lei áurea e garantiu vitória. Não! Quando ela assinou, 80% já estava livre. Como esse pessoal conquistou essa liberdade? Indo para a luta! Foi fugindo, criando quilombo, foi brigando de maneira coletiva. Então, a gente tem uma história de luta sim, que a gente vai querer valorizar dessa população de São Gonçalo, que era uma região de muitos quilombos. Eu quero é ‘quilombar’ São Gonçalo para ter uma reparação histórica"

Cara a cara

https://youtu.be/0ei60bqrcjM
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