Uma solução pensada dentro da sala de aula para facilitar a rotina de pacientes acamados colocou estudantes de uma escola técnica do Rio entre os destaques da principal feira científica do país. Uma maca hospitalar acionada por comando de voz, desenvolvida por alunos da Escola Técnica Estadual Henrique Lage, no Barreto, Zona Norte de Niterói, ficou em terceiro lugar nacional na categoria Engenharia da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e foi eleita a melhor proposta do estado.
O evento foi realizado na última semana, na Universidade de São Paulo (USP), e reuniu cerca de 300 projetos finalistas, selecionados entre mais de 3 mil inscritos de todo o Brasil. O equipamento criado pelos estudantes chamou atenção por unir tecnologia acessível e foco na autonomia de pessoas com mobilidade reduzida.
A ideia surgiu a partir da vivência familiar de um dos alunos envolvidos no projeto. João Marcelo Moura Lopes, morador de Itaboraí, conta que buscava uma forma de reduzir a dependência de pacientes acamados para tarefas simples, como se deitar ou se levantar.
“Minha avó é acamada por conta de uma cardiopatia e mobilidade reduzida. Para que ela pudesse dormir ou se levantar, eu e meu pai tínhamos que segurá-la e essa dependência causava certo desconforto nela. Tive a ideia a partir de um comentário do meu pai, que imaginou uma máquina que pudesse executar o movimento de abaixar e levantar com um simples aperto de botão”, disse.
Ao lado do colega Cauã Azevedo de Carvalho, ele levou a proposta para a sala de aula, onde o projeto começou a ser desenvolvido.
Com supervisão de um professor, os estudantes realizaram visitas técnicas a uma unidade hospitalar em Niterói para entender o funcionamento de macas elétricas já utilizadas. A partir disso, desenvolveram um protótipo com uso de plataforma Arduino e um módulo de reconhecimento de voz que funciona sem internet.
Custo baixo
O custo total do equipamento ficou abaixo de R$ 2 mil, valor considerado baixo em comparação aos modelos disponíveis no mercado, que podem chegar a R$ 6 mil. Além da redução de custos, o projeto busca garantir mais independência aos pacientes, impactando diretamente na autoestima e na qualidade de vida durante a internação.
A iniciativa já vinha sendo apresentada em outros eventos de tecnologia e educação profissional, onde também recebeu prêmios e convites internacionais. Em uma dessas competições, os alunos conquistaram o primeiro lugar e foram selecionados para representar o Brasil em uma feira tecnológica em Portugal, prevista para maio.
A Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), responsável pela unidade, destacou que projetos desenvolvidos por estudantes da rede têm ganhado espaço em eventos nacionais, com propostas voltadas para tecnologia, meio ambiente e bem-estar. A instituição mantém mais de 100 unidades no estado e aposta na formação técnica como caminho para inserção no mercado de trabalho.
Segundo a direção da fundação, iniciativas como a maca hospitalar mostram como experiências pessoais podem ser transformadas em soluções práticas, com potencial de impacto direto na sociedade.