O Complexo Esportivo Caio Martins, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, virou alvo de inspeção da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Estado do Rio de Janeiro após denúncias feitas nesta quarta-feira (8) de que cães, abrigados dentro do espaço público, atacaram o pai de um atleta, que é aluno de atividades esportivas do estádio.
Segundo as denúncias, a vítima foi mordida por quatro cachorros nas dependências do complexo na última semana. O caso chama atenção pelos supostos tutores que cuidam dos cães, mas que não assumem responsabilidade pelos mesmos.
O caso ocorreu no dia 30 de março. O homem, morador de Niterói, sofreu ferimentos em uma das pernas, e precisou ser vacinado com antirrábica e antitetânica, sendo socorrido em um posto de saúde no Largo da Batalha, na Região de Pendotiba.
A vítima conta que frequenta o estádio há mais de dois anos, acompanhando o filho, menor de idade, que pratica esportes no local, e não havia tido problemas até o momento.
Cães de rua
Segundo os relatos, a presença dos animais dentro da unidade já havia se tornado comum nos últimos tempos, e que sempre latiam, até que, naquele dia, decidiram atacar. Depois de procurar a direção do Caio Martins, a vítima afirma que tomou ciência de que os cachorros, que até pouco tempo viviam na rua, foram abrigados na casa do zelador, funcionário do local.
Além do novo abrigo, a denúncia aponta que policiais do programa Segurança Presente estariam alimentando e cuidando dos cães dentro do espaço, e que os mesmos seriam os responsáveis pelos animais permanecerem no estádio.
Em imagens, registradas pela vítima, é possível notar coleiras nos cães, além de potes de ração onde os cães se alimentam.







Tratamento e um novo ataque
Com um ferimento na perna, e dependendo de atenção médica, o pai precisou dar entrada em medicamentos, principalmente antibióticos, além da observação de sintomas de doenças como a raiva.
Além dos custos para o tratamento, a vítima afirma que tentou dialogar com os policiais do Segurança Presente e que um deles se ofereceu para ajudar com o valor dos remédios, mas depois não retornou mais as mensagens e ligações.
O rapaz ainda voltou ao complexo, quando acabou sendo atacado novamente pelos animais.
Para se defender, ele contou que acabou pegando um cabo de vassoura, que encontrou em uma parede próxima, mas acabou cercado pelos policiais, que exigiram que entregasse o pedaço de madeira, afirmando que ‘não era permitido atacar os cães’.
“Eu falei que se eu sou agredido, posso me defender. A polícia que devia nos proteger, alimenta eles. Fui informado que preciso observar o cão pela possibilidade de raiva, e eles me me responderam se o cachorro está bem ou teve o comportamento modificado“, declarou a vítima, em revolta.
De quem é a culpa?
Segundo o pai do aluno atacado, a direção do Complexo Esportivo Caio Martins explicou que, de fato, tenta manter os portões fechados para que animais não entrem no estádio, e que os PMs do Segurança Presente, que atuam ali, abrem os portões para que os cachorros entrem.
Procurada, a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Estado do Rio de Janeiro confirmou que não mantém qualquer tipo de abrigo ou guarda oficial de animais dentro do complexo. Segundo a pasta, uma inspeção interna foi aberta para verificar o ocorrido e identificar os devidos responsáveis.
Também procurada, a Polícia Militar ainda não se manifestou sobre o caso.
“Meu filho está com medo de ir ao Caio Martins por conta desses cães. Por sorte agrediram um adulto, mas poderia ser uma criança“, concluiu o pai.