Funcionários do Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras (IETAP), administrado pelo Governo do Estado e localizado no Barreto, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, denunciam atraso no pagamento de salários sem previsão e a falta de esclarecimentos. O problema atinge diversos setores, como enfermagem, laboratório, farmácia e raio-X.
Segundo funcionários que preferiram não se identificar, o atraso se refere ao mês de janeiro, e até o momento os salários não foram pagos. Na última sexta-feira (20), os trabalhadores foram surpreendidos com a notícia de que a empresa Instituto de Desenvolvimento para Educação, Saúde e Integração Social (IDESI), responsável pelos serviços terceirizados no hospital, não prestaria mais serviços à instituição.
“Simplesmente enviou uma mensagem no grupo dos funcionários dizendo que não presta mais serviço para a Fundação Saúde do Estado do Rio. Deixaram todos sem pagamento, sem informações sobre os direitos, e todos foram pegos de surpresa”, relatou um funcionário.
Ainda segundo os trabalhadores, essa não é a primeira vez que enfrentam atrasos, mas desta vez há incerteza sobre a regularização dos pagamentos. “Atrasos já eram comuns, mas nunca dessa forma. Até agora, só se sabe que outra empresa deve assumir os serviços no lugar”, explicou.
Os funcionários seguem sem respostas da empresa e sem informações sobre os próximos passos. “Ainda assim, entendemos que estamos cumprindo o aviso prévio. Quem teria férias programadas para março teve o período suspenso”, explica o trabalhador.
Em nota envida ao ENFOCO, a Fundação Saúde informou que acompanha a situação:
“A Fundação Saúde informa que está acompanhando de forma direta e rigorosa a situação envolvendo a empresa Instituto de Desenvolvimento para Educação, Saúde e Integração Social (IDESI), prestadora de serviços terceirizados no Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras.
Esclarece que os serviços junto à referida empresa foram encerrados, conforme os trâmites administrativos, e que todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas para a regularização da situação.
A Fundação Saúde reforça que está cobrando da prestadora o cumprimento de suas obrigações trabalhistas e informa que os pagamentos salariais serão realizados com a maior brevidade possível.
Paralelamente, a instituição iniciou os procedimentos para nova contratação, a fim de garantir a continuidade dos serviços e assegurar que não haja qualquer prejuízo à assistência prestada à população.
A Fundação reafirma seu compromisso com a transparência e a manutenção da qualidade dos serviços públicos de saúde.”
Histórico de irregulidades
Não é a primeira vez que a IDESI é alvo de denúncias por descumprimento de obrigações trabalhistas em unidades de saúde do Estado do Rio. Em agosto do ano passado, o ENFOCO publicou uma matéria sobre demissão de funcionários sem o pagamento das verbas rescisórias.
Antes das denúncias registradas na unidade hospitalar em Niterói, a empresa já havia sido citada por irregularidades na UPA de Bangu, UPA Ricardo de Albuquerque, UPA Realengo e no Hospital da Mãe, em Mesquita. As queixas na época envolviam atrasos no pagamento de salários, férias, 13º salário e verbas rescisórias, além de denúncias sobre falta de cobertura de escalas e ausência de vínculo formal com parte da equipe.