O forte temporal que atinge a Zona Sul da cidade do Rio, desde a noite desta segunda-feira (15), já bateu recorde na Rocinha. Vivendo a tragédia de um deslizamento isolado, ocasionado pelo rompimento de uma adutora de água, a comunidade viveu, no período curto de 24 horas, a terceira chuva mais intensa da história do bairro.
Os números, divulgados pela estação pluviométrica do Sistema Alerta Rio, impressionam. Entre às 12h de ontem e desta terça-feira (16), o bairro registrou 254,6 mm de volume de chuva, mais que o dobro da média histórica mensal da região, aproximada em 108,5 mm.
De acordo com o sistema de monitoramento municipal, o volume representa a terceira chuva mais forte já observada pelo pluviômetro da Rocinha desde 1997, quando as pancadas começaram a ser registradas. Além da Rocinha, outros bairros próximos também indicaram acúmulos anormais de água, como o Jardim Botânico, Laranjeiras, Vidigal, Urca e Copacabana.
Deslizamento na Rocinha
A sensação de medo e pavor tomou conta dos moradores da Rocinha, quando foram surpreendidos, por volta das 18h30, pelo rompimento de uma adutora e com o deslizamento pontual de terra. Nas redes sociais, vídeos mostrando o caos na Estrada da Gávea, onde ocorreu o acidente, ficou visível o desespero.
No local, equipes da prefeitura municipal rapidamente se mobilizaram para conter os danos causados pelo deslizamento. Segundo nota publicada pelo Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR), se encontravam na Rocinha equipes da Defesa Civil municipal, Comlurb, CET-Rio, Geo-Rio, Guarda Municipal e da Seconserva.
Em vídeo publicado nas redes, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) comunicou que uma vistoria técnica da Defesa Civil havia confirmado que o caso se tratava de um acidente ocasiado pelo rompimento de uma adutora da Águas do Rio, e que não havia perigo de novos deslizamentos. De acordo com o prefeito, equipes da própria concessionária de água se encontravam no local.
Questionada pela reportagem do Enfoco, na noite de ontem (15), a Águas do Rio negou que qualquer adutora ou rede de abastecimento de água da concessionária tenha se rompido na região e que o caso se tratava, na verdade, da danificação de uma tubulação de esgoto de pequeno porte.
Atenção redobrada e segurança
Após o acidente, a Prefeitura do Rio reforçou orientações de segurança para os cariocas durante o períodos de chuvas fortes na capital. Emitidos pela Defesa Civil, elas incluem:
- Evitar passar de carro ou a pé por áreas propensas a alagamentos ou próximas a encostas;
- Não forçar a passagem de veículos em vias inundadas;
- Em caso de raios e ventos fortes, buscar abrigo seguro, longe de árvores ou áreas descampadas;
- Vistoriar as moradias e, caso note trincas, rachaduras ou abalos na estrutura, deixar o imóvel imediatamente e ligar para a Defesa Civil pelo número 199;
- Moradores de áreas de risco devem respeitar os alertas das sirenes e se dirigir imediatamente aos pontos de apoio determinados pelo município.