O diretor, fotógrafo e produtor Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos. Considerado um dos principais nomes da história do cinema brasileiro, o cineasta teve a morte anunciada por familiares nas redes sociais. Até o momento, a causa do falecimento não foi divulgada.
Luiz Carlos estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Ele tratava uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia.
Em nota, o hospital, lamentou a morte do cineasta e prestou solidariedade aos familiares. A unidade, no entanto, não informou se ele estava internado no momento do falecimento.
O neto do produtor, Gabriel Barreto, que vive nos Estados Unidos, prestou uma homenagem nas redes sociais e destacou a importância do avô para a família e para a cultura brasileira.
“Hoje acordei com a notícia de que meu avô faleceu aos 98 anos. Ele era um gigante em nossa família e no Brasil, uma verdadeira estrela-guia em minha vida. Meu Deus, vovô, que saudade”, escreveu.
Conhecido como “Barretão”, Luiz Carlos enfrentava problemas de saúde desde 2024. De acordo com sua filha, a saúde de Luiz Carlos vinha se deteriorando desde aquele ano, quando ele sofreu uma queda durante uma viagem ao Ceará.
O velório será realizado nesta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo. Após a cerimônia, o corpo será cremado no Memorial do Caju.
O cineasta era casado há 71 anos com a também produtora Lucy Barreto. Ele teve 3 filhos, que seguiram a profissão: Bruno, Fábio e Paula (Fábio morreu em 2019, após ficar em coma por 10 anos em decorrência de um acidente de carro no Rio, em 2009). Luiz Carlos também deixa 9 netos e 8 bisnetos.
Trajetória no cinema
Natural de Sobral, no Ceará, Luiz Carlos Barreto nasceu em 1928 e iniciou sua carreira profissional como fotógrafo da revista O Cruzeiro, em 1961.
Pouco depois, assinou, ao lado de Roberto Farias, o roteiro de O Assalto ao Trem Pagador (1962). Também foi responsável pela fotografia de Vidas Secas (1963), dirigido por Nelson Pereira dos Santos, filme premiado pela Oficina Católica Internacional do Cinema (OCIC) no Festival de Cannes de 1964.
“Barretão” construiu uma trajetória de mais de 60 anos dedicada ao audiovisual, iniciada no Cinema Novo, com “Vidas Secas” e “Terra em Transe”. Entre as mais de 100 obras que dirigiu ou produziu estão os campeões de bilheteria “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “O Quatrilho” e “O Que É Isso, Companheiro”, com esses 2 últimos, levou o Brasil ao Oscar.
Em 1965, deixou o jornalismo para se dedicar integralmente ao cinema e participou da criação da distribuidora Difilm. No mesmo período, fundou a produtora L.C. Barreto, responsável por algumas das obras mais marcantes do cinema nacional.
Com uma trajetória de mais de seis décadas dedicada ao audiovisual, Luiz Carlos Barreto deixa um legado que ajudou a consolidar o cinema brasileiro no cenário internacional.