A Justiça do Rio condenou nesta quarta-feira (15) o terceiro acusado pela morte do congolês Moïse Kabagambe. O lutador Brendon Alexander Luz da Silva, conhecido como Tota, recebeu pena de 18 anos e 8 meses de prisão, em regime fechado, por homicídio triplamente qualificado.
A decisão foi tomada pelo 1º Tribunal do Júri, no Centro do Rio, após cerca de nove horas de julgamento. Os jurados reconheceram que o crime foi cometido com “recurso que impossibilitou a defesa da vítima”, além de “motivo fútil” e “emprego de meio cruel”.
Na sentença, a juíza destacou a forma como o réu atuou durante a agressão. Segundo ela, Brendon manteve Moïse imobilizado por mais de 12 minutos enquanto outros envolvidos o espancavam.
A promotora Rita Guimarães afirmou que o acusado teve papel determinante no crime. “Ele não só participou, como foi essencial para que as agressões acontecessem”, disse, durante o julgamento.
O crime
O crime ocorreu em 24 de janeiro de 2022, em um quiosque na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, onde a vítima trabalhava. De acordo com a investigação, Moïse foi atacado após cobrar diárias atrasadas.
Imagens exibidas no plenário mostram o início da confusão e o momento em que o réu derruba a vítima com um golpe e passa a imobilizá-la. Durante esse período, Moïse foi atingido com socos, chutes e pedaços de madeira.
Segundo a acusação, foram ao menos 37 golpes. A promotora ironizou a postura do réu durante a ação: “Dá pra ver que ele estava muito preocupado com a vítima”, afirmou. “Depois de cerca de 10 minutos, ele pede para tirar uma foto da posição que estava aplicando.”
Emoção durante julgamento
Familiares de Moïse acompanharam o julgamento e se emocionaram durante a exibição das imagens. Em um dos momentos, uma parente chorou ao ver as agressões com madeira.
A promotoria também sustentou que houve tentativa de simular socorro após o crime. “Isso só acontece porque um casal passou pelo local e viu o corpo”, disse outra promotora. “Não teve ninguém ali querendo salvar ele.”
Imagens mostram o réu iniciando uma massagem cardíaca minutos após o último golpe. Em seguida, ele joga água sobre o corpo da vítima. Para a acusação, a ação foi uma tentativa de esconder vestígios. “Ele não queria salvar, apenas disfarçar o crime”, afirmou.
A defesa negou a intenção de matar e pediu a desclassificação do crime. O advogado Peterson Vieira afirmou que o cliente tentou conter a situação. “A intenção não pode ser avaliada em vídeo. Ele disse que não queria matar o Moïse”, declarou.
Os jurados rejeitaram a tese.
Brendon foi o último dos três acusados a ser julgado. Os outros dois já haviam sido condenados em 2025: Aleson recebeu 23 anos, 7 meses e 10 dias de reclusão, e Fábio, 19 anos, 6 meses e 20 dias. Somadas, as penas ultrapassam 40 anos de prisão, todas em regime fechado.