A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) notificou a Portela e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) após a escola de Oswaldo Cruz e Madureira realizar uma apresentação com um componente da comissão de frente “voando” sustentado por drone, no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, domingo passado, na Marquês de Sapucaí.
Em nota, a Anac lembrou que o transporte de pessoas em drones é proibido e que o uso do equipamento para esse fim apresenta risco de acidentes graves ou fatais. A agência solicitou à escola e à Liesa esclarecimentos sobre o modelo utilizado, número de série, registro junto à Anac e dados do piloto remoto, com prazo de dez dias para resposta.
Segundo a norma RBAC-E nº 94, os drones devem manter uma distância mínima de 30
metros de pessoas e só podem transportar cargas previstas na regulamentação. A Anac destacou que, embora barreiras de proteção possam reduzir riscos, não foi o caso observado na Sapucaí.
A apresentação da Portela trouxe o enredo “O mistério do príncipe do Bará — a oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, inspirado na religião afro-brasileira Batuque. A comissão de frente utilizou recursos tridimensionais para criar imersão na narrativa, incluindo 29 bailarinos e um homem que pairou sobre a avenida com auxílio do drone, ilustrando a história dos personagens Negrinho do Pastoreio e Bará (Exú).
A coreógrafa Cláudia Mota, em parceria com Edifranc Alves, explicou que o objetivo era transportar o público para dentro do universo do Batuque, tornando a experiência mais sensorial e interativa.
Procurada, a Portela ainda não se manifestou sobre a notificação até o fechamento desta reportagem. A Anac também foi contatada pelo Enfoco para detalhar possíveis penalidades à escola e à Liga, mas não houve retorno, enquanto a Liesa afirmou não ter recebido comunicação formal da agência até o momento.