O governo do Rio de Janeiro exonerou 6.145 servidores comissionados desde março e calcula economizar R$ 221 milhões até o fim deste ano com a redução da estrutura administrativa. O número representa uma parcela significativa dos 14.340 cargos em comissão existentes no Estado naquele mês.
A medida integra uma reestruturação conduzida pela gestão interina do desembargador Ricardo Couto, que assumiu o governo em 23 de março, após a renúncia de Cláudio Castro para disputar uma vaga no Senado. Até 21 de agosto, foram registradas 2.496 novas nomeações. A economia projetada considera apenas os cargos que permanecerem desocupados.
Segundo o governo estadual, parte dos comissionados dispensados não possuía sequer credenciais para acessar sistemas internos, como o Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Esses servidores eram classificados internamente como funcionários fantasmas e, de acordo com a administração, compareciam apenas uma vez por mês para assinar a folha de ponto.
O processo de revisão da estrutura ainda não terminou. Novos cortes poderão ocorrer depois da conclusão de auditorias realizadas pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e pela Controladoria Geral do Estado (CGE).
A gestão também reduziu a quantidade de secretarias. O governo passou a ter 28 pastas, quatro a menos que as 32 existentes em março. A mudança ocorreu por meio da fusão de algumas secretarias.
Desde o início da atual administração, o governo afirma ainda ter priorizado servidores de carreira nas nomeações para o primeiro escalão. Os ocupantes de cargos em diferentes níveis passam por avaliação do GSI. A justificativa é reduzir despesas e buscar maior eficiência, transparência e controle sobre o uso dos recursos públicos.
A reorganização ocorre em meio à mudança no comando do Estado. Cláudio Castro deixou o cargo em março para concorrer ao Senado. No dia seguinte à renúncia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o declarou inelegível. Em 2 de junho, a Corte manteve a decisão ao analisar os recursos, por 5 votos a 2. A punição estabelece oito anos de inelegibilidade, contados a partir das eleições de 2022, deixando Castro impedido de disputar eleições até 2030.