A celebração de Corpus Christi em São Gonçalo foi encerrada no início da noite desta quinta-feira (4) com a tradicional procissão pelas vias principais do município da Região Metropolitana do Rio. O ato religioso ocorreu após a Santa Missa, iniciada às 16h em frente à Igreja Matriz, sob a presidência do arcebispo auxiliar da Arquidiocese de Niterói, Dom Geraldo de Paula.
O evento religioso reuniu milhares de fiéis e contou com a presença de autoridades políticas locais, incluindo o prefeito Capitão Nelson e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) Douglas Ruas. Durante a homilia, o arcebispo destacou a historicidade e a importância da data para a Igreja Católica.
“É um trabalho bonito que fazemos para louvar Jesus com a confecção dos tapetes em quase dois quilômetros no Corpus Christi de São Gonçalo. Pelos tapetes, passa a Santíssima Trindade e o Deus vivo. Essa solenidade que estamos celebrando começou na Bélgica, manifestando de forma pública o nosso amor a Jesus Cristo. Na celebração, rendemos graças a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, alimento da vida eterna. A Eucaristia é fonte e centro da vida cristã”, afirmou o arcebispo.
São Francisco, modelo de amor eucarístico
O tema central da edição deste ano foi “São Francisco, modelo de amor eucarístico”, em alinhamento com o Ano Jubilar Franciscano, que marca os 800 anos da morte de São Francisco de Assis. Dom Geraldo relembrou a trajetória do santo católico, enfatizando sua dedicação aos vulneráveis.
Entre os participantes, moradores locais relataram a regularidade da presença no evento. Para Maria das Graças Soares da Silva, de 68 anos, residente do bairro Brasilândia, a participação na data ocorre há mais de 15 anos. “Eu vejo os tapetes primeiro e depois venho para a missa. Eu gosto muito desse momento, me sinto próxima de Deus. Gosto de acompanhar a procissão também. Pretendo continuar vindo todos os anos, enquanto for possível”, disse a pensionista.
A diarista Maria José Oliveira Martins, de 66 anos, moradora do Porto Novo, frequenta o ato há uma década e apontou a relevância pessoal do rito. “Eu gosto muito de vir, não posso deixar de participar da missa, de ver os tapetes. Eu gosto muito do momento da comunhão na missa. Esse é meu momento de emoção, de bênçãos, de agradecer. Vou continuar vindo pelos próximos anos, com certeza”, declarou.
A caminhada final foi realizada sobre os tapetes de sal estruturados ao longo das ruas Coronel Moreira César, Feliciano Sodré e Dr. Nilo Peçanha, partindo da Igreja Matriz até a altura do Clube Mauá.
Confecção dos tapetes
Os trabalhos de montagem começaram no início da manhã de quinta-feira sob condições de chuva. Ao todo, foram confeccionados 236 tapetes, medindo 5,50 metros de altura por 3 metros de largura cada, totalizando quase dois quilômetros de extensão. A estrutura utilizou 50 toneladas de sal, 200 sacos de serragem, pigmento xadrez e pó de café, mobilizando mais de 230 voluntários de instituições de ensino, igrejas e movimentos sociais.
A estimativa oficial indica a circulação de cerca de 100 mil pessoas pelo circuito ao longo do dia. A programação da tarde incluiu apresentações musicais e o Terço da Misericórdia com o Ministério Louva Deus.
Segundo a Prefeitura, um esquema especial integrado pelas secretarias de Transportes, Meio Ambiente, Conservação, Ordem Pública (com a Guarda Municipal), Comunicação e Saúde e Defesa Civil foi realizado. Logo após a procissão, equipes de limpeza urbana iniciaram a desobstrução das vias para a liberação do tráfego de veículos.
Projeto de Lei na Alerj
Na última quarta-feira (3), a Alerj aprovou, em primeira discussão, o Projeto de Lei que declara o tapete de Corpus Christi de São Gonçalo como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado.
A proposta, de autoria do próprio presidente da Casa, que é filho do prefeito, passará por uma segunda votação em plenário antes de ser encaminhada para a sanção ou veto do governador. O tapete de sal já possui o título de Patrimônio Cultural e Religioso em âmbito municipal.
Niterói

Em Niterói o feriado de Corpus Christi reuniu cerca de 10 mil pessoas no centro da cidade, segundo informações da prefeitura. O prefeito Rodrigo Neves e a primeira-dama Fernanda Neves participaram da missa solene realizada em frente à Câmara Municipal, celebrada por Dom José Francisco Rezende Dias, Arcebispo Metropolitano de Niterói.
A festa religiosa reuniu centenas de fiéis que, desde as primeiras horas da manhã, se dedicaram à confecção dos tradicionais tapetes de sal na Avenida Ernani do Amaral Peixoto. Foram utilizadas cerca de 20 toneladas de sal, além de serragem, pó de café e xadrez para compor os desenhos que ficaram expostos à visitação ao longo de todo o dia.
Este ano, a data ganhou ainda mais relevância para os niteroienses. Na última semana, o prefeito Rodrigo Neves sancionou uma lei que decreta Corpus Christi como feriado municipal em definitivo, garantindo a folga para a festa religiosa.
“É uma grande alegria celebrar o Corpus Christi em Niterói, uma tradição de fé que reúne milhares de pessoas e reforça valores fundamentais como a solidariedade, o cuidado com o próximo, a justiça social e a defesa da vida. Neste ano, demos um passo histórico ao sancionar a lei que torna o Corpus Christi feriado municipal, fazendo de Niterói a primeira cidade do Estado do Rio de Janeiro a adotar essa medida. É um reconhecimento à importância desta celebração para a nossa população e para a identidade cultural e religiosa da cidade. Que este momento renove nossa fé, fortaleça os laços de fraternidade e traga bênçãos para todos os niteroienses”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.
Durante a celebração, o arcebispo metropolitano de Niterói, Dom José Francisco Rezende Dias, destacou o significado espiritual da data e a importância da renovação da fé cristã.
“Reunidos como Igreja, celebramos o mistério de Cristo presente na Eucaristia e renovamos nossa caminhada de fé. O Senhor nos convida a vencer o pecado, a acolher a misericórdia de Deus e a ressurgir para uma vida nova. Que esta celebração do Corpus Christi fortaleça a comunhão entre os irmãos e nos ajude a testemunhar, no dia a dia, os valores do Evangelho”, destacou Dom José.
Após a missa, celebrada às 16h, os fiéis seguiram em procissão pelas ruas do Centro, encerrando a solenidade com a bênção eucarística. O presidente da Comissão Arquidiocesana de Corpus Christi, padre Alan Mota, ressaltou o envolvimento da comunidade na preparação da festa religiosa.
“Esta celebração é fruto da dedicação de centenas de pessoas que, desde a madrugada, trabalharam com amor para preparar cada detalhe desta festa para Jesus. Mesmo quando a chuva levou parte do que havia sido construído, a fé falou mais alto e todos recomeçaram com alegria, ajudando uns aos outros e dando um belo testemunho de comunhão. O Corpus Christi é o dia em que tornamos pública a nossa fé na presença de Jesus na Eucaristia e renovamos o compromisso de levar essa fé para além dos templos, por meio das nossas ações e do cuidado com o próximo”, afirmou o padre Alan Mota.