Poderia ser um trecho do clássico filme Jumanji, o mundo selvagem repleto de perigos, mas é a realidade do agravado estado de abandono de rodovias estaduais no Rio de Janeiro. Motoristas e pedestres que trafegam pela RJ-104 e RJ-106 estão abandonados à própria sorte, diante da vegetação que invade calçadas e encobre placas de sinalização, colocando em perigo a vida de quem passa pelos trechos.
Além dos perigos para motoristas, em diversos trechos de São Gonçalo e Maricá, o mato toma conta também das calçadas que dão acesso às passarelas, obrigando pedestres a caminharem na pista, lado a lado com veículos em alta velocidade, um cenário desafiador que eleva o perigo de atropelamentos.
A situação é ainda mais crítica em áreas de grande fluxo. Parte da infraestrutura destinada à circulação segura simplesmente desapareceu sob o avanço da vegetação nas rodovias, comprometendo não apenas a mobilidade urbana, mas também a segurança viária, um dos pilares recomendados por diretrizes internacionais e políticas públicas alinhadas às boas práticas de acessibilidade e prevenção de acidentes.
Moradora do bairro Arsenal, em São Gonçalo, Rosana Correia relata que convive frequentemente com o problema ao visitar a filha na comunidade do Arrastão. Segundo ela, o risco é constante.
“Essa situação atrapalha muita coisa, tem vários atropelamentos. Como não dá para andar por partes da calçada, o pedestre é obrigado a andar na pista mesmo. Isso tem que ser limpo para poder evitar acidentes”, afirmou.
Passarelas abandonadas na rodovia

Além das calçadas, a vegetação também compromete estruturas essenciais, como passarelas. Na altura da comunidade do Arrastão, o mato já alcança parte da grade de acesso, dificultando a utilização segura da travessia por pedestres.
Para motoristas, o problema ganha outra dimensão. O crescimento desordenado da vegetação tem encoberto placas de sinalização, prejudicando a leitura de informações fundamentais para a condução segura.
O técnico de enfermagem Adriano Santos, de 44 anos, que trafega diariamente pelas rodovias, alerta para o perigo invisível.
“É muito perigoso porque a gente não sabe qual é a placa, se é para reduzir a velocidade, se está informando uma área escolar ou outra informação importante tanto para o motorista quanto para o pedestre”, disse.
Um dos pontos mais críticos está na RJ-104, na altura do bairro Tribobó, em São Gonçalo, em frente ao Instituto Médico Legal (IML), onde a vegetação já ultrapassa dois metros de altura.
Procurado, o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Rio de Janeiro (DER-RJ), responsável pela administração das vias, ainda não informou quando será realizada a limpeza dos trechos afetados para garantir a segurança de motoristas e pedestres.