O Centro de Trauma do Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), em São Gonçalo, registrou mais uma manhã movimentada neste sábado (4). Entre os pacientes atendidos, destaca-se o caso de um jovem de 22 anos que, exatamente um ano após passar por uma cirurgia devido a outro acidente de moto, deu entrada novamente na unidade em estado gravíssimo. O paciente, acidentado no bairro Jardim Catarina, apresenta fraturas expostas no fêmur e na tíbia e foi encaminhado ao centro cirúrgico em caráter de emergência devido ao risco de morte.
Além deste caso, outras 12 pessoas foram socorridas pelo Corpo de Bombeiros e levadas ao HEAT durante a madrugada, todas vítimas de ocorrências envolvendo motocicletas. O ortopedista Carlos Neves, coordenador do serviço de ortopedia e responsável pela operação do jovem há um ano, alerta que o volume de traumas impacta diretamente no cronograma de cirurgias eletivas (agendadas) da unidade.
De acordo com o corpo médico, o perfil das vítimas é de politraumatizados que demandam implantes e medicações de alto custo, além de períodos prolongados em terapia intensiva (CTI) e internação hospitalar.
“Depois dessa assistência, a vítima ainda tem um longo percurso em reabilitação. O paciente não sai apto para retornar às atividades sociais e laborativas, continuando a gerar um alto custo para o Estado”, explica o Dr. Carlos Neves.
O coordenador do Centro de Trauma, Marcelo Pessoa, reforça a necessidade de medidas preventivas para reduzir as estatísticas. Segundo o especialista, o alto índice de acidentes afeta não apenas a ocupação de leitos, mas também os estoques do banco de sangue, a disponibilidade de insumos e até processos sensíveis, como a captação de órgãos.
“São acidentes que podem ser evitados. Muitos saem bem, outros com graves sequelas, mas alguns não sobrevivem”, conclui o médico.