Ao menos nove linhas de ônibus tiveram a circulação suspensa no bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo, nesta quarta-feira (27), após a morte de dois pedreiros durante uma operação da Polícia Militar e protestos realizados por moradores da região na BR-101.
De acordo com a Prefeitura de São Gonçalo, a determinação partiu da Polícia Militar e a Secretaria de Transportes está monitorando a situação. Não há previsão de normalização.
As linhas afetadas, são:
Linha 12 — Jardim Catarina x Covanca
Linha 13 — Jardim Catarina x Covanca
Linha 12A — Santa Luzia x Venda da Cruz
Linha 13A — Santa Luzia x Venda da Cruz (via Porto Velho)
Linha 12C — Jardim Catarina x Alcântara (via Santa Luzia)
Linha 13C — Jardim Catarina x Alcântara
Linha 17 — Jardim Catarina x Maria Paula
Linha 17B — Jardim Catarina x Maria Paula (via Santa Luzia)
Linha 17C — Jardim Catarina x Maria Paula (via Dalva Raposo)
Escolas sem aulas
Além disso, por medidas de segurança, a Secretaria Municipal de Educação suspendeu as aulas nesta quarta na Umei Augusto de Freitas Lessa, na Umei Manoel de Souza, na Escola Municipal Anísio Spinola Teixeira, na Escola Municipal Professora Aida Vieira e no CIEP 051 Municipalizado Anita Garibaldi.
Mortes
Os homens mortos foram identificados como Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46. Segundo familiares, os dois eram pedreiros e estavam com ferramentas de trabalho e marmitas.
De acordo com moradores, os homens estavam em uma motocicleta e seguiam para trabalhar em uma obra dentro da comunidade da Ipuca quando foram atingidos pelos disparos. Eles morreram ainda no local.
A Polícia Militar informou que “o comando do 7º BPM (São Gonçalo) instaurou um procedimento apuratório para averiguar todas as circunstâncias nas quais policiais militares atingiram dois homens em uma motocicleta, durante ocupação na localidade da Ipuca, na manhã desta quarta-feira (27)”, diz a nota.
Ainda de acordo com a PM, policiais militares realizaram uma operação para dar suporte a uma empresa de telefonia que realizava serviços no local.
Protesto e chave de ônibus levada
Mais cedo, moradores realizaram uma manifestação na BR-101, na altura do km 306, em São Gonçalo, no sentido Rio de Janeiro, pedindo justiça.
Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), por volta das 9h20, manifestantes atearam fogo em pneus às margens da rodovia, provocando a interdição parcial da via. A situação chegou a ser controlada momentaneamente, mas os protestos continuaram ao longo da pista.
Às 9h55, a pista chegou a ser totalmente fechada. Já às 10h02, a PRF informou a liberação parcial do tráfego, com retenções e presença de manifestantes no entorno da via.
Por volta das 12h, um grupo voltou ao local para realizar uma nova manifestação, colocando pedaços de madeira na pista. Segundo relatos, uma pessoa parou um ônibus da linha 413, que seguia em direção a Niterói, retirou a chave do veículo e fugiu. Até as 12h46, a chave reserva do veículo ainda não havia chegado ao local para a retirada do ônibus e a liberação da via.
De acordo com a concessionária responsável pela via, a Arteris Fluminense, a faixa direita sentido Rio de Janeiro está bloqueada. Ainda há trânsito intenso no local.
Armas de policiais apreendidas
De acordo com a Polícia Civil, o caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), que apura de onde partiram os disparos que mataram os dois pedreiros.
Além disso, a corporação informou que policiais militares envolvidos na ocorrência e testemunhas estão sendo ouvidos na unidade.
“As armas dos agentes foram apreendidas e serão submetidas a confronto balístico. As imagens das câmeras corporais já foram requisitadas. O local passou por perícia e os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML), onde serão realizados os exames periciais. Outras diligências estão em andamento para o completo esclarecimento dos fatos”, diz em nota.
Comissão de Direitos Humanos acompanha
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj informou em nota que “acompanha com extrema indignação a morte dos pedreiros Marcelo e Edivan, no Jardim Catarina, em São Gonçalo, durante uma operação policial realizada nesta quarta-feira (27). As informações divulgadas até agora apontam que os trabalhadores foram confundidos com criminosos enquanto carregavam ferramentas de trabalho e marmitas”.
De acordo com a deputada Dani Monteiro, presidente da Comissão “O caso exige investigação rigorosa, perícia técnica imediata e divulgação das imagens das câmeras corporais dos agentes envolvidos. É inadmissível que trabalhadores sejam mortos pelo Estado enquanto saem para garantir o sustento de suas famílias”, afirma,
Ainda de acordo com a Comissão, o órgão está à disposição das famílias para prestar atendimento e acompanhará de perto o desenrolar das investigações, cobrando transparência e responsabilização. “A presidente da Comissão se solidarizou com os familiares de Marcelo e Edivan diante de mais uma ação policial marcada pela morte de trabalhadores inocentes”, finaliza a nota.