O coronel Aristheu de Goes Lopes, ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), foi nomeado para a Superintendência de Gestão Integrada da Polícia Militar do Rio de Janeiro. A nomeação foi publicada no Diário Oficial do Estado na última sexta-feira (5), menos de três meses após sua exoneração do comando do Bope em meio à repercussão da morte de um jovem de 23 anos durante uma ação policial no Morro Santo Amaro, na Zona Sul da capital.
A operação, realizada em junho, foi marcada por denúncias de uso excessivo da força. À época, o secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, reconheceu publicamente que o batalhão agiu fora dos protocolos estabelecidos. Além de Aristheu, o então comandante do Comando de Operações Especiais (COE), coronel André Luiz de Souza Batista, também foi exonerado após o episódio.
A nova nomeação reacendeu críticas de entidades e parlamentares ligados aos direitos humanos. Nesta terça-feira (9), a deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), publicou uma nota de repúdio à decisão.
Para a parlamentar, é “inadmissível” que um oficial associado a uma ação marcada por “violência desproporcional e pela violação de direitos fundamentais” seja designado a uma função de alta responsabilidade na estrutura da segurança pública do estado.
Em resposta, a Polícia Militar do Rio afirmou que a Superintendência de Gestão Integrada é um cargo de natureza administrativa e que não há qualquer impedimento legal ou judicial que proíba o coronel de exercer funções na corporação.
A PM acrescentou ainda que o Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado para apurar a conduta dos policiais envolvidos na operação no Morro Santo Amaro foi concluído e encaminhado ao Ministério Público Militar, que é o responsável por avaliar a denúncia e decidir sobre uma eventual denúncia formal.
A Superintendência de Gestão Integrada, para a qual Aristheu foi designado, é responsável por coordenar setores estratégicos da corporação e apoiar a formulação de políticas internas da PM.
A nomeação ocorre em um momento em que a atuação das forças de segurança do Rio de Janeiro segue sob forte escrutínio, diante de operações policiais com registros recorrentes de letalidade e violações de direitos em comunidades periféricas.
Até o momento, o Ministério Público Militar não se pronunciou publicamente sobre o inquérito relacionado à operação que motivou a exoneração do coronel.