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Segurança Pública

Família da mãe investigada pela morte do filho em Niterói sofre ameaças após acusação do pai

André Silva |

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Polícia investiga morte de bebê em Niterói
Carlos Eduardo Caetano Cabral foi encontrado morto dentro de casa. Foto: Arquivo Pessoal

A família da mulher de 27 anos investigada pela morte do filho de 1 ano, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, afirma estar vivendo sob ameaças desde que o pai da criança passou a acusá-la publicamente pelo crime e ainda se apresentar como um pai presente.

Segundo a família materna do pequeno Carlos Eduardo, o filho mais velho, hoje com 4 anos, nem mesmo foi registrado pelo pai, que nunca manteve assistência regular, não pagava pensão e pouco participava da rotina das crianças, versão que contrasta com a imagem divulgada por ele após a morte do bebê. Desde então, familiares relatam que fotos e informações pessoais começaram a circular em grupos de WhatsApp, acompanhadas de mensagens com ameaças e incitação à violência.

“Em grupos de WhatsApp estão circulando fotos da família para identificar de onde ela veio”, contou uma pessoa próxima aos parentes. Em outra mensagem, o aviso foi ainda mais direto: “Está rolando a sua foto com a da sua família em grupos de WhatsApp falando que é para pegar todo mundo”, disse uma conhecida a uma das tias da criança.

Tragédia em família

O caso aconteceu no último domingo (11), na localidade da Teixeira de Freitas, no bairro do Fonseca, Zona Norte de Niterói. O pequeno Carlos Eduardo Caetano Cabral foi encontrado sem vida dentro de casa. A mãe, segundo a família em estado de surto, foi levada para um hospital psiquiátrico, onde permanece internada. A Polícia Civil ainda investiga as circunstâncias da morte e aguarda o laudo pericial para esclarecer a causa do óbito.

Acusações sem laudo e ameaças

Em entrevista ao ENFOCO, familiares da mãe deram suas versões e saíram em defesa da mulher. Uma tia da criança, que preferiu ter a identidade preservada, diz que a exposição feita pelo pai gerou medo real de represálias.

“Estão dizendo que ela matou o filho, mas ninguém sabe o que aconteceu. O laudo nem saiu […] A gente encontrou o menino morto. Não estou tirando a responsabilidade se ela fez alguma coisa mesmo. Às vezes a criança pode ter passado mal, ainda mais que a casa é quente. A única coisa que ela conseguiu foi pegar o mais velho e vir aqui em casa pra pedir ajuda”, justificou.

Segundo parentes, a repercussão do caso nas redes sociais criou um ambiente de hostilidade, em que a família passou a ser tratada como culpada antes mesmo de qualquer conclusão da investigação.

“A sociedade tá tratando ela como um monstro e vai querer matá-la”

Histórico de transtornos e apoio familiar

De acordo com os familiares, a mulher enfrenta problemas de saúde mental e já havia passado por uma internação psiquiátrica meses antes da tragédia. Mesmo assim, afirmam que ela nunca ficou sem suporte.

“A gente sempre viveu uma vida humilde, e aconteceu isso. Infelizmente a gente não tem como voltar atrás e não sabe o que aconteceu. Ela mesmo com esses problemas pegou o dinheiro que recebe do governo, alugou essa casa e cuidou sempre dessas crianças”, disse uma das tias da investigada.

Após um surto ocorrido em junho de 2025, a mãe das crianças teria permanecido cerca de um mês e meio internada e, depois, ficou aproximadamente três meses na casa de parentes, até apresentar melhora. Segundo a família, quando decidiu sair, recebeu ajuda para recomeçar.

“A gente não chegou a ter um laudo fechado, mas ela ficou em observação. Depois do primeiro surto, ela melhorou. Ficou cerca de um mês e meio internada no hospital, e , depois, mais ou menos três meses aqui em casa. Depois disso, ela alugou uma casa para morar com as crianças. O pai nunca pegou as crianças para passear ou levar na casa dele. A gente deu tudo novo pra ela. Foi tudo para ela ter uma vida digna”, relatou a família.

Relação paterna

certidao sem o nome do pai
Certdião do filho mais velho sem o nome do pai – Foto: Arquivo Pessoal

Outro ponto sensível levantado pela família diz respeito à relação do pai com os filhos. Os parentes acusam que ele não registrou o filho mais velho, que a certidão de nascimento foi feita apenas com o nome da mãe e dos avós maternos, e que o bebê que morreu somente teve o registro com o nome do pai por ter sido feito automaticamente no hospital.

Segundo os familiares, durante meses as crianças ficaram sob os cuidados da família materna, sem qualquer auxílio financeiro do pai. “As crianças passaram três meses aqui em casa, com eu e minha avó cuidando. Nunca pedimos um centavo para ele. Ele vinha vez e outra para ver as crianças e dizer que é pai e ia embora. Que pai é esse que diz que vai lá todo dia e não vê que a despensa está vazia? Não tinha comida nos armários, não tinha comida na geladeira”, afirmou.

Ainda de acordo com a família, quem ajudava com fraldas, leite e alimentos era, muitas vezes, o próprio irmão do pai. “O irmão dele sempre ajudou mais essa crianças do que ele como pai. O irmão foi mais pai do que ele. A família está sendo exposta como culpada, enquanto ele aparece como vítima. Tenho prints de pessoas na internet perguntando: ‘cadê a família?’, enquanto tem fotos nossas circulando em grupos de WhatsApp, com pessoas ameaçando a gente… é algo complicado”, relatou a parente.

Investigação

A Polícia Civil informou que após a perícia realizada no local, testemunhas já foram ouvidas. A mãe da criança segue internada em hospital psiquiátrico e sem previsão de alta.

Ainda de acordo com a polícia, o laudo pericial ainda não foi concluído. A investigação está a cargo da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). A distrital informou que diligências seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte da criança.

Outras medidas investigativas não foram detalhadas para não comprometer o andamento do inquérito.

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André Silva

André Silva

Bastante ativo na cobertura cultural, ja foi contemplado com o Prêmio Themis de Jornalismo, concedido pelo TJRS. Além da cultura, caminha por várias editorias, inclusive em cobertura de eventos internacionais, como a Cúpula do G20 e o encontro dos Brics.