A morte da pequena Valentinna Brito, de apenas 1 ano e 7 meses, provocou tristeza e revolta dos pais contra um hospital particular de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, acusado negligência médica. A ocorrência aconteceu na noite deste domingo (1º), enquanto ela estava internada no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), no centro da cidade. De acordo com familiares, a criança teria recebido uma medicação destinada a outra paciente com o mesmo nome.
Segundo a mãe, Rayanna Brito, de 20 anos, Valentinna deu entrada na unidade na noite da última sexta-feira (27) com quadro de convulsão. Conforme relato da família, ela foi reanimada, estabilizada e internada para a realização de exames. “Ela ficou estável, conseguiram reanimar”, afirmou um familiar.
Acusação de negligência
A família acusa o hospital de ter administrado medicação errada na paciente. De acordo com Rayanna, havia outra criança, de 7 anos, com o mesmo nome e um dos mesmos sobrenomes, internada na unidade, e ambas teriam permanecido por um breve período no mesmo andar.
A confirmação da mãe surgiu na madrugada de sábado (28), quando ao verificar a bomba de infusão, percebeu que a filha estaria recebendo a medicação da outra paciente. Ao questionar a equipe, os profissionais teriam informado que se tratava do mesmo medicamento, apenas com identificação diferente. Acontece que após a administração, segundo os familiares, a criança apresentou inchaço e teve o estado de saúde agravado.
A família garante que a piora aconteceu após a administração do medicamento.
“Eles falaram que era a mesma medicação, só tinha mudado o nome e que estava certo. Depois disso, a Valentinna começou a ficar toda inchada”, relatou a mãe. A família não soube precisar, no entanto, o nome da medicação administrada.
A família disponibilizou as imagens do antes e depois da medicação administrada:

ANTES

DEPOIS
Ainda segundo a mãe, a bebê perdeu o acesso venoso na perna e precisou de novo acesso no braço. Ela afirma que o procedimento não teria sido bem-sucedido e que o medicamento teria extravasado, causando lesão.
“A medicação estava correndo e o braço dela ficou queimado. Depois disso, ela começou a piorar”, disse.
Piora no quadro de saúde
Rayanna afirma que Valentinna foi colocada no oxigênio. A mãe ainda teria alertado a equipe que a filha estava com muita secreção e precisaria ser aspirada. Mas, segundo ela, a fisioterapeuta teria informado que não havia necessidade do procedimento, pois a criança não havia sido internada por problemas respiratórios.
A família também relata que, no domingo, percebeu falta de acompanhamento mais frequente no quarto.
“Ninguém entrava. O pai dela ficou sábado inteiro lá e quase ninguém foi. A médica entrou, viu que ela estava dormindo e saiu. Não verificaram se estava respirando bem”, afirmou a mãe.
Veja o vídeo
Causa da morte
De acordo com a família, o CHN informou que a causa da morte teria sido pneumonia, broncoasma e desnutrição. No entanto, Rayanna contesta a versão e afirma que exames anteriores não apontavam essas condições.
“Minutos antes de tudo acontecer, a médica me chamou e disse que o raio-x estava limpo, que o pulmão estava limpinho. Como uma criança desenvolve pneumonia em menos de 30 minutos?”, questionou.
Para a mãe, houve negligência: “O que aconteceu foi negligência médica. A Valentinna estava internada, mas estava bem. Ela poderia ter saído dessa com vida”.
Histórico de negligência
Segundo a família, devido à fissura labiopalatina, a criança já sofria dificuldades alimentares e atraso no desenvolvimento. Rayanna afirma que já apresentou laudos médicos que comprovam a dificuldade da filha em ganhar peso e se desenvolver adequadamente.
A mãe também relata outros episódios que considera falhas no atendimento, como vômitos frequentes de líquido escuro, que teriam sido tratados como situação normal pela equipe. Ela afirma ainda que houve insistência na colocação de sonda.
O corpo de Valentinna foi sepultado na tarde desta segunda-feira (2), no Cemitério do Maruí, no Barreto, Zona Norte de Niterói.
Protesto por justiça

Com cartazes com frases como ‘Justiça por Valentinna’ e ‘Negligência médica’, a família realizou um protesto em frente ao Complexo Hospitalar de Niterói pedindo apuração do caso.
“Isso não vai trazer minha filha de volta, mas precisamos dar visibilidade ao que aconteceu. Espero que não aconteça com outras mães”, disse Rayanna.
O que diz o hospital
Procurado, o Complexo Hospitalar de Niterói informou, por meio de nota, que lamenta a morte da bebê e que, ‘apesar de todos os esforços das equipes multidisciplinares’, o óbito não pôde ser evitado.
A unidade afirmou ainda que se solidariza com os familiares e que presta o suporte necessário neste momento, mas não prestou qualquer informação sobre as acusações apontadas pela família.
A Polícia Civil informou que o caso foi encaminhado à Delegacia do Centro (76ª DP) e que todas as medidas cabíveis para apurar os fatos ainda estão em andamento.