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Você para o carro numa vaga legalizada, segue para o trabalho, e quando volta, é chamada de ladra por um flanelinha. Parece exagero? Pois foi exatamente isso que aconteceu com uma motorista na Rua José Clemente, no Centro de Niterói, na tarde da última sexta-feira (3). O caso foi parar na delegacia.

O que era pra ser só mais um fim do dia comum de estágio virou um episódio de perseguição, ofensas e ameaça, com direito a flanelinha batendo no vidro do carro e gritando no meio da rua, de acordo com a denúncia.

E tudo isso, segundo a vítima, porque ele alegou ter “trabalhado de graça”: ou seja, não ter recebido pelo estacionamento em via pública, apesar de não estar no local, conforme alega a mulher.



A motorista relata que chegou cedo, estacionou em uma vaga com sinalização do Niterói Rotativo, o sistema oficial da cidade. Um homem, se dizendo flanelinha, orientou a parada e ela seguiu para o estágio.

Horas depois, ao retornar, não havia nenhum guardador de carros por perto. Ela entrou no veículo e seguiu viagem. Foi então que tudo aconteceu:

“Me chamou de ladra, safad*, dizendo que trabalhou de graça pra mim, gritando. Eu nunca imaginei que iria passar por isso na minha vida”, contou a vítima em uma sequência de stories no Instagram.

Sem aceitar a cobrança ilegal, ela seguiu pela via, mas foi perseguida pelo flanelinha, que segundo a denúncia encostou o veículo ao lado do dela. A situação só começou a se acalmar quando ela encontrou uma viatura da Guarda Municipal (GM) e pediu ajuda.

“Ele achou que por eu ser mulher e estar sozinha, ia me intimidar. Mas ele mexeu com a pessoa errada. Eu conheço meus direitos”, desabafa.

Com apoio da GM, ela foi até a 76ª DP (Niterói) registrar um boletim de ocorrência por extorsão. O flanelinha foi localizado ainda na José Clemente, sendo encaminhado e ouvido em sede policial. Ele foi liberado.

“Na delegacia ele disse que tem 20 anos de flanelinha, que está acostumado. Só que assim: são 20 anos enganando, extorquindo as pessoas? E certo da impunidade! Isso que me deixa completamente triste”, lamentou a vítima.

A mulher também questiona a falta de fiscalização efetiva.

“Se tem o Rotativo, a Prefeitura não deveria fiscalizar nas ruas? Ali é o centro da cidade! […] A gente já paga IPVA, paga rotativo… e ainda tem que pagar flanelinha e ser perseguida”, continua dizendo.

O que diz a Prefeitura

A Prefeitura informa que não existe autorização para a atividade de flanelinhas em Niterói. E que apenas o sistema de rotativo em áreas sinalizadas é legal.

“Toda pessoa que for coagida por guardador ilegal deve acionar a Polícia Militar ou a Guarda Municipal para condução do indivíduo à delegacia policial em caso de flagrante”, pontua.

Rotativo

O Município informa ainda que o estacionamento rotativo é cobrado por fiscais no local, com a opção de ser pago via aplicativo. O pagamento deve ser feito mesmo quando não há fiscal no local.

“Se o veículo é estacionado sem a ativação do tempo de uso, o sistema identifica a irregularidade e, após o prazo para regularização, que é de três dias, é gerado o auto de infração conforme o artigo 181, inciso XVII, do Código de Trânsito Brasileiro”, diz a nota.

A multa, portanto, resulta do não pagamento da tarifa rotativa, e não é aplicada “sem aviso”, de acordo com a administração municipal. O motorista pode consultar ou recorrer da autuação pelos canais oficiais da NitTrans, presencialmente ou pelo site (clicando aqui).

Como denunciar

A Guarda Municipal orienta que, ao se deparar com situações parecidas, o cidadão deve ligar para o número 153, que funciona 24h. Se possível, o ideal é não sair do local, para que a abordagem aconteça em flagrante. 

Ezequiel Manhães

Ezequiel Manhães

Jornalista com experiência em hard news e produção audiovisual, tendo como foco reportagens factuais, especiais e conteúdos multimídia. Atua com rapidez, comprometimento e precisão na apuração, tendo como destaques coberturas de temas como política, economia, cidades, segurança pública e comportamento. LinkedIn: @ezequiel-manhães-b073921b3