Um jovem de 24 anos diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e deficiência intelectual foi agredido com diversos socos na nuca durante uma atividade realizada na tarde da última sexta-feira (3), no Centro de Convivência e Cultura Dona Ivone Lara, no bairro São Lourenço, em Niterói.
O caso foi registrado na 78ª DP (Fonseca) como lesão corporal, e a vítima passou por exame de corpo de delito no IML do Barreto no sábado (4). Até o momento, não há confirmação sobre a prisão do acusado.
Mãe atípica, Dulce da Costa Antunes, de 56 anos, relatou que acompanhava o filho Gilberto Antunes de Jesus durante o ensaio do Bloco Loucos Pela Vida, promovido no espaço cultural, quando ele foi surpreendido pelo agressor, que invadiu o local e começou a desferir socos contra o jovem, por volta de 15h30.
O Loucos Pela Vida é um tradicional bloco antimanicomial de Niterói, formado por usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), familiares e profissionais de saúde. Ao longo do ano, o grupo realiza ensaios e oficinas no Centro de Convivência e Cultura Dona Ivone Lara e, durante o carnaval, desfila pelas ruas da cidade promovendo inclusão social e conscientização sobre a saúde mental.
“Ele estava tocando tamborim e, quando olhei para frente, só vi um cara desferindo diversos socos na nuca do meu filho. Eu corri até ele e entrei no meio. Algumas pessoas me puxaram e o grupo tentou apaziguar a situação”, relatou.
A mãe contou que o filho faz acompanhamento no Ambulatório de Saúde Mental da Policlínica Regional de Piratininga e frequenta os ensaios do bloco todas as sextas-feiras. Ela afirmou que o agressor estava bastante alterado e precisou ser contido por várias pessoas.

“O meu filho está com muitas dores na nuca, que ainda está um pouco inchada. No dia, foi preciso sete pessoas para conter o agressor. Ele estava muito violento”, lamentou.
De acordo com a denúncia, o mestre de bateria do grupo, Josemar Sena, conhecido como Mestre Careca, também tentou acalmar o homem, mas acabou sendo agredido com socos no rosto, segundo consta no registro policial.
“O senhor Josemar foi questionar ao agressor o motivo daquilo, foi aí que ele deu três murros na região do rosto, acima do olho dele, e também criou um ‘galo’. Ele é o nosso professor da bateria do bloco Loucos Pela Vida da Saúde Mental. Ele também é uma vítima agredida pelo mesmo sujeito. Ninguém sai de casa para apanhar gratuitamente. Poderia ter acontecido o pior. Se esse cara estivesse com alguma arma na mão, o meu filho poderia estar morto”, frisou Dulce.
Após o tumulto, o acusado deixou o local, e conforme as queixas, continuou fazendo ameaças do lado de fora e tentou retornar, chegando a forçar o portão de entrada.
A Polícia Militar foi acionada e, de acordo com a denunciante, compareceu ao local. No entanto, não há confirmação sobre a prisão do acusado, que conforme relatos, teria sido visto andando pelas ruas da cidade.
Dulce desabafou sobre o caso e cobrou providências das autoridades.
“Me sinto injustiçada, com sentimento de impunidade, coração devastado. Cada soco que meu filho tomou me dói até a alma”, disse.
A investigação está em andamento na 78ª DP (Fonseca). Procurada, a Polícia Civil informou que agentes realizam diligências para apurar todos os fatos.
Questionada, a Prefeitura de Niterói, responsável pela gestão do espaço, através da Fundação Estatal de Saúde de Niterói (FeSaúde) e da Secretaria Municipal de Saúde, ainda não se manifestou sobre o caso.