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Segurança Pública

Primeira audiência do caso João Pedro acontece em São Gonçalo

Redação | Publicado em:

Rede social

    




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A primeira audiência do caso João Pedro, de 14 anos, acontece na tarde desta segunda-feira (5), em São Gonçalo, dois anos após a morte do adolescente durante uma operação das polícias Civil e Federal, em maio de 2020, no Complexo do Salgueiro em São Gonçalo. 

Ele e outras crianças brincavam  numa casa que foi metralhada pelos agentes. O corpo de João ainda foi retirado do local pelos policiais, ficou desaparecido e só foi encontrado horas depois pela família no Instituto Médico-Legal de São Gonçalo. 

Leia+: Estado é condenado a pagar indenização à família de João Pedro 
Leia+: Policiais envolvidos na morte de João Pedro poderão voltar à ativa

     

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“Nós, familiares de vítimas do estado, morremos antes da justiça acontecer”
Rafaela Matos
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Ato

Família e amigos do adolescente também farão um ato pacífico em frente ao fórum pedindo justiça e celeridade no processo. 

Justiça Seletiva

Para João Luís Silva, articulador social do Rio de Paz, o caso de João Pedro faz parte de uma justiça seletiva que existe no Brasil.

“Vivemos isso porque existe uma seletividade na justiça criminal. Talvez, se João Pedro fosse uma criança da zona sul (do Rio) e branca, os culpados já teriam sido punidos. Mesmo assim, a gente sente que a justiça pode ser feita nesse caso porque ainda tem muitas famílias que não conseguiram o mesmo e ainda choram a morte de suas crianças sem justiça”, lamenta João Luís Silva, articulador social do Rio de Paz, que esteve na casa onde João Pedro foi morto logo depois com o coordenador de projetos da ONG, Lucas Louback.

“Contamos mais de 70 marcas de tiros nas paredes da casa, um cenário de muita tristeza e covardia. O que encontramos foi um cenário de horror”, lembra João.

Denúncia

Os policiais civis Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio duplamente qualificado e fraude processual. Eles podem ir a júri popular.

“Há uma morosidade na justiça criminal, principalmente, para tratar de casos de execução, ainda mais quando são praticadas pelo estado. Parece uma estratégia para que as investigações sejam prejudicadas. É um absurdo que essa polícia seja julgada dois anos após o crime e com toda repercussão e gravidade que teve o caso”, analisa João Luís Silva, articulador social do Rio de Paz.

“Esses dois anos têm sido os piores da minha vida e da minha família. Além do luto, ainda ter que ficar na luta por justiça vai consumindo a gente aos poucos”, disse Rafaela, emocionada. “A verdade é que a justiça não acontece para os pobres. Mas nós temos esperança. Mesmo depois de tanto tempo essa audiência é um grande passo porque não precisamos provar a inocência do nosso filho. O próprio governo a reconheceu”, diz Rafaela, resignada. 

Crianças mortas

O Rio de Paz tem um memorial na Lagoa, zona sul do Rio, pelas crianças e adolescentes de 0 a 14 anos mortas por balas perdidas e policiais assassinados pela violência no estado. A contagem começou em 2007 e já reúne quase 90 crianças. O nome de João Pedro está no memorial. Em 2020, ano em que foi morto, além de João, outras 11 crianças também tiveram suas vidas interrompidas por tiros. Depois de João, 22 crianças foram assassinadas dessa forma. 

Homenagem

 





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João Pedro também foi lembrado durante a apresentação do grupo Racionais MC´s, no Rock in Rio, na noite deste sábado (3). Na música ‘Negro Drama’, ele apareceu no telão do palco, ao lado de nomes de pessoas negras que também perderam a vida de forma violenta, como Marielle Franco, o congolês Moise, a menida Ágatha Félix, além do repositor Durval, morto a tiros ao ser confundido com um criminoso ao chegar em casa São Gonçalo.  

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