O júri popular do tabelião acusado de matar a esposa grávida e os sogros dentro da casa da família, em agosto de 2021, será realizado nesta terça-feira (16) e quarta-feira (17), em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a mulher e a mãe morreram no local após serem baleadas. O pai chegou a ser socorrido e permaneceu internado por semanas, mas não resistiu aos ferimentos. Durante o julgamento, a acusação defenderá que o réu tinha plena capacidade de compreender seus atos quando efetuou os disparos.
Preso em flagrante após o crime, o acusado alegou ter sofrido um surto. A versão, porém, é contestada pelo Ministério Público. Um laudo psiquiátrico produzido durante sua custódia concluiu que ele não apresentava transtorno mental e possuía capacidade para exercer os atos da vida civil. O documento integra o conjunto de provas que será apresentado aos jurados.
O réu responde por feminicídio, aborto e homicídio qualificado, além de agravantes como motivo banal e impossibilidade de defesa das vítimas. Em caso de condenação por todos os crimes, as penas podem ultrapassar 80 anos de prisão.
Relembre o caso
O crime aconteceu na noite de 13 de agosto de 2021, no bairro Cônego, em Nova Friburgo. De acordo com a investigação, policiais foram acionados para uma residência e encontraram o sogro do acusado, de 75 anos, ferido por disparos de arma de fogo. Aos agentes, ele afirmou ter sido baleado pelo genro. A vítima foi levada para o hospital, onde permaneceu internada por quase um mês, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
No interior do imóvel, os policiais localizaram o corpo da sogra do réu, de 67 anos, no primeiro andar. Em um dos quartos do segundo pavimento estava a esposa dele, de 33 anos, grávida de seis meses. Ao lado do corpo foi encontrada uma pistola Glock calibre 9 milímetros, apontada pela investigação como a arma utilizada no crime.
O acusado foi preso ainda no local. Durante o trajeto para a delegacia, afirmou que teria sofrido um transtorno psíquico. Ao longo do processo, no entanto, exames psiquiátricos concluíram que ele estava lúcido no momento dos homicídios e não apresentava sinais de psicose.
Dias antes do crime, durante o Dia dos Pais de 2021, a vítima publicou uma homenagem ao marido nas redes sociais. Na mensagem, afirmou que, durante a gestação, havia recebido dele “amor, gratidão e a certeza de que a filha tirou a sorte grande” ao tê-lo como pai.