Skip to content

Saúde

Teste laboratorial pode prever resposta de pacientes com esclerose múltipla ao natalizumabe

Redação |

Icone do Whatsapp Compartilhe no Whatsapp!
Pesquisadores da Fiocruz analisam células de pacientes com esclerose múltipla para prever resposta ao tratamento com natalizumabe. Foto: Divulgação / Rudson Amorim

Um estudo coordenado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) apresentou um avanço promissor no tratamento da esclerose múltipla (EM): pesquisadores conseguiram desenvolver um teste laboratorial capaz de prever se um paciente responderá ao medicamento natalizumabe antes do início da terapia. A descoberta foi publicada na revista Nature Communications.

O teste, realizado a partir de uma amostra de sangue, analisa a reação das células de defesa do paciente quando expostas ao medicamento. Embora ainda não esteja disponível como kit clínico, o método já funciona integralmente em laboratório. A expectativa é que, nos próximos anos, ele seja validado em diferentes populações e incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) até 2035.

Segundo Beatriz Chaves, doutoranda do IOC/Fiocruz que liderou parte do trabalho durante doutorado-sanduíche na França, cerca de 35% dos pacientes não respondem plenamente ao natalizumabe e ainda ficam expostos a riscos e efeitos colaterais. “Começamos a nos perguntar se seria possível entender melhor o efeito do anticorpo nas células e usar isso para prever, antes da terapia, quem realmente vai se beneficiar do medicamento”, explicou.

O pesquisador Vinicius Cotta, do Laboratório de Pesquisas sobre o Timo do IOC/Fiocruz, destacou que a descoberta reduz riscos desnecessários, otimiza custos e melhora o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes.

O estudo analisou como atuam três elementos fundamentais para a ação do natalizumabe: o medicamento em si, os linfócitos T CD8 e as proteínas VLA-4 e VCAM-1, que regulam a entrada de células imunes no sistema nervoso central. As diferenças na reação celular de cada paciente explicam por que a eficácia do tratamento varia e permitem prever, de forma antecipada, a resposta clínica.

Além do IOC/Fiocruz, participaram da pesquisa o Bio-Manguinhos/Fiocruz, a Fiocruz Ceará, a USP, o Hospital Israelita Albert Einstein e o INFINITy, ligado ao Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Medicina da França (Inserm).

A descoberta representa um passo importante rumo à medicina personalizada para a esclerose múltipla, oferecendo aos pacientes tratamentos mais seguros e eficazes e evitando exposições desnecessárias a medicamentos que não trariam benefícios.

Icone do Whatsapp Compartilhe no Whatsapp!
Redação

Redação