Imagens aéreas captadas por drone mostram o momento em que agentes das polícias Federal e Civil cercam uma residência de alto padrão em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e prendem o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, na manhã desta quinta-feira (26). O registro flagra a movimentação no quintal do imóvel e a rendição do contraventor após a chegada das equipes.
Na gravação, Adilsinho aparece correndo de um lado para o outro ao lado do policial militar Diego D’Arribada Rebello de Lima, que fazia sua segurança. Lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Fazendinha, no Complexo do Alemão, o agente também acabou preso durante a ação. Ao perceberem o avanço dos policiais, os dois tentam se deslocar juntos, mas param e levantam as mãos, sendo abordados em seguida.
A defesa de Adilsinho afirmou que ele realizava exercícios físicos no momento da chegada das equipes, por recomendação médica.
Prisão do Adilsinho
Alvo principal da Operação Libertatis II, Adilsinho estava foragido da Justiça havia cerca de um ano e era considerado um dos contraventores mais procurados do país. Contra ele, havia mandados expedidos tanto pela Justiça Federal quanto pela estadual do Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, o bicheiro é apontado como um dos responsáveis pelo comando do esquema ilegal de produção e comercialização de cigarros falsificados no estado. A atividade criminosa, de acordo com a Polícia Federal (PF), mantém ligação com organizações armadas e redes de atuação transnacional, com uso de violência e controle territorial.

Os investigadores afirmam que a atuação de Adilsinho no crime organizado começou no início dos anos 2000, com exploração de cassinos clandestinos, e se expandiu ao longo dos anos até alcançar posição de liderança em diferentes frentes ilícitas. Ele também é investigado como mandante de homicídios.
Após a captura, o contraventor foi levado para a Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio, onde passou pelos procedimentos legais. A previsão é de que ele seja transferido para o sistema prisional estadual e permaneça à disposição da Justiça.
Homicídios
Levantamentos apontam que o contraventor pode ter participação em uma série de crimes cometidos no estado. Segundo reportagem da “TV Globo”, há indícios de envolvimento em pelo menos 20 ações criminosas, entre homicídios, tentativas de assassinato e um caso de sequestro.
Sem detalhar a quantidade exata de ocorrências, a Polícia Civil informou que uma sequência de mortes estaria relacionada ao investigado, com motivação ligada à disputa pelo controle da exploração ilegal de cigarros e de jogos de azar, especialmente máquinas caça-níqueis e o jogo do bicho.
Em novembro de 2024, a corporação indiciou o contraventor e solicitou sua prisão pelos assassinatos de Marco Antônio Figueiredo Martins e Alexsandro José da Silva. De acordo com as investigações, os dois crimes teriam sido motivados por disputas relacionadas à exploração dessas atividades ilegais, e o bicheiro é apontado como mandante das execuções.
Ascensão
A PF aponta que a inserção de Adilsinho na criminalidade remonta ao início dos anos 2000. Naquele período, ele teria passado a produzir programas utilizados para fraudar máquinas de videobingo, equipamentos clandestinos apelidados de “draculinhas”. A iniciativa marcou sua entrada no mercado de jogos ilegais e serviu de base para a expansão de seus negócios na contravenção.
Com a consolidação dessa estrutura, o investigado avançou sobre a cadeia de distribuição de cigarros contrabandeados e falsificados, assumindo o controle de pontos considerados estratégicos. As apurações indicam que, de 2015 a 2024, a organização teria movimentado cerca de R$ 5 bilhões com a atividade.
Ainda conforme a PF, o grupo operava com métodos que incluíam controle de território, exclusividade forçada na venda de produtos ilícitos, cooptação de agentes públicos e intimidação de rivais, reproduzindo práticas já observadas em outras frentes da economia ilegal, como o jogo do bicho.
Carnaval
O nome do contraventor também surge em investigações que mencionam sua proximidade com o universo das escolas de samba. Ele é citado como patrono da Acadêmicos do Salgueiro, o que, segundo os investigadores, demonstraria a projeção de sua influência para além das atividades criminosas atribuídas a ele.