O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apresentou nesta semana em São Paulo, a campanha “O Brasil é de Todas as Cores: Para Todas as Pessoas”, iniciativa que busca ampliar a divulgação das políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+ e dar visibilidade aos resultados alcançados pelo governo federal na área.
O lançamento aconteceu durante a 25ª edição da Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+, realizada no Vale do Anhangabaú e promovida pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP).
De acordo com o ministério, desde 2023 foram destinados mais de R$ 61 milhões para programas de promoção e proteção dos direitos da população LGBTQIA+. Parte desses recursos foi aplicada no Programa Nacional de Fortalecimento das Casas de Acolhimento LGBTQIA+ (Acolher+), que já beneficiou mais de 330 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Outro destaque foi a Estratégia Nacional de Trabalho Digno, Educação e Geração de Renda para Pessoas LGBTQIA+ (Empodera+), responsável pela qualificação profissional de mais de 5 mil participantes, por meio de ações voltadas à inclusão produtiva, geração de renda e fortalecimento da autonomia financeira.
A secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, afirmou que os investimentos representam o maior orçamento já destinado à área. Segundo ela, os recursos foram direcionados principalmente para iniciativas de acolhimento, empregabilidade e promoção do trabalho digno.
Em entrevista, a secretária ressaltou ainda que as ações governamentais têm alcançado diferentes territórios do país, incluindo regiões de fronteira e comunidades indígenas, com foco na ampliação do acesso a direitos e na criação de redes de proteção para grupos vulneráveis.
Feira reúne cultura, empreendedorismo e cidadania
A Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+ reúne mais de 180 artistas e cerca de 100 expositores em uma programação gratuita voltada à cultura, aos negócios e à inclusão social.
Segundo o coordenador artístico do evento, Heitor Werneck, a proposta é fortalecer pequenos empreendimentos da comunidade LGBTQIA+, ampliar oportunidades comerciais e incentivar a geração de renda.
Ele destacou ainda o caráter inclusivo da iniciativa, que oferece espaço para a participação de pessoas com deficiência, incluindo artistas e frequentadores LGBTQIA+ cadeirantes.
Entre os visitantes estava Fabrício Florencio, de 23 anos, morador da capital paulista. Para ele, além da celebração, a feira representa um espaço de encontro, acolhimento e fortalecimento da luta por direitos e reconhecimento.
Ao longo do dia, o público teve acesso a uma programação diversificada, com exibições de filmes, apresentações artísticas e debates sobre temas como saúde mental, direitos humanos, combate à discriminação, inclusão social e fortalecimento das políticas públicas voltadas à diversidade.
O evento também prestou homenagens a personalidades e artistas que marcaram a trajetória da comunidade LGBTQIA+ no Brasil, destacando a importância da produção cultural como ferramenta de transformação social e resistência.
O encerramento ficou a cargo da cantora MC Trans, reconhecida pela atuação em defesa da representatividade trans. A artista abriu mão do cachê em apoio à realização do evento, que enfrenta desafios financeiros devido à redução de patrocínios.
Redução de recursos preocupa organizadores
Heitor Werneck afirmou que a diminuição de investimentos públicos e privados destinados a iniciativas LGBTQIA+ tem dificultado a manutenção de projetos culturais e sociais ao longo do ano.
Apesar das dificuldades, ele ressaltou a relevância econômica dos eventos ligados à Parada do Orgulho LGBT+, lembrando que a ocupação da rede hoteleira da cidade alcança índices elevados durante o período e que a organização gera milhares de empregos temporários.
Parada do Orgulho LGBT+ celebra 30 anos
A tradicional Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo será realizada no próximo domingo (7), na Avenida Paulista. Em 2026, o evento comemora três décadas de existência com o tema “30 anos da Parada SP: A rua convoca, a urna confirma”.
A proposta é estimular o debate sobre democracia, cidadania, participação política e a preservação dos direitos conquistados ao longo dos anos.
Para Symmy Larrat, a mobilização social continua sendo fundamental para garantir avanços e enfrentar o crescimento de discursos de intolerância. Segundo ela, as conquistas alcançadas pela comunidade são resultado de décadas de organização e atuação nos espaços públicos e políticos.
Com informações da Agência Brasil..