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Niterói

Vídeo impressionante de acidente na Serrinha entre Niterói e Maricá acende alerta para atenção no trecho

Tayná Ferreira | Publicado em: - Atualizado 4 meses atrás

Flagrante de acidente na Serrinha

A rodovia RJ-102, conhecida como ‘Serrinha’, trecho que liga Niterói a Maricá, voltou a ser palco de um grave acidente. O caso aconteceu no último dia 14, na descida da serra, sentido Itaipuaçu. As imagens do acidente, no entanto, só foram divulgadas na última semana, reacendendo o debate sobre a segurança na rodovia, marcada por um histórico frequente de acidentes.

Dados do Corpo de Bombeiros mostram que o número de atendimentos relacionados a acidentes na via permanece elevado. Tanto em 2025 quanto nos primeiros meses de 2026, diversas ocorrências foram registradas no trecho, sendo a maior concentração delas na descida da serra em direção a Itaipuaçu.

Imagens registradas no dia 14 mostram o momento de uma colisão, quando o motorista parece perder o controle do veículo ao entrar pela contramão. Durante a manobra, o carro sai da pista e colide frontalmente com outro carro que trafegava no sentido contrário. Segundo o Corpo de Bombeiros, não houve acionamento para atendimento da ocorrência.

Uma testemunha, que preferiu ter a identidade preservada, relatou ter presenciado o acidente e exsplicou que o motorista do veículo trabalha como motorista de aplicativo e teria perdido o controle após uma falha mecânica.

“Ele perdeu o freio e, para não bater nos carros que estavam à frente, precisou fazer essa manobra. Felizmente ninguém ficou ferido. Nós levamos a passageira até o destino para onde ela estava indo”, relatou.

Embora seja conhecida como ‘Serrinha’, a rodovia recebe nomes diferentes conforme o município. Em Maricá, o trecho é chamado de Estrada de Itaipuaçu. Já em Niterói, a via é denominada Estrada Gilberto Carvalho. Independentemente da nomenclatura, os dois trechos concentram um elevado número de acidentes registrados pelo Corpo de Bombeiros.

Perigo na Serrinha

Dados do Corpo de Bombeiros revelam que no ano passado foram registradas 19 ocorrências na rodovia. Desse total, dez acidentes aconteceram no trecho de Niterói, sendo quatro quedas de motocicleta, uma queda de automóvel, duas colisões de carro em muro, uma colisão entre veículos, uma colisão entre automóvel e bicicleta e uma colisão entre caminhão e moto.

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No lado de Maricá foram contabilizadas nove ocorrências, entre elas três quedas de moto, três colisões entre automóvel e motocicleta, duas colisões entre carros e uma capotagem de veículo.

Já em 2026, entre janeiro e abril, o Corpo de Bombeiros já registrou seis acidentes na rodovia. Em Niterói, houve uma capotagem de caminhão, uma queda de moto, uma colisão entre automóvel e motocicleta e uma colisão envolvendo um caminhão e outro veículo.

Em Maricá, foram registradas uma queda de motocicleta e uma colisão entre automóvel e bicicleta.

Embora o número absoluto seja inferior ao registrado em todo o ano passado, os dados preocupam, já que se referem apenas aos quatro primeiros meses deste ano. Além disso, nem todos os acidentes resultam em acionamento do Corpo de Bombeiros, o que pode indicar uma quantidade ainda maior de ocorrências no local. Como registrado no último dia 14.

Medo constante

Quem utiliza a rodovia diariamente relata conviver com a insegurança.

“Principalmente na subida, porque a inclinação é muito forte. Tem um trecho bastante complicado. A gente fica com medo de um caminhão perder a força ou voltar de repente enquanto estamos atrás”, contou um motorista de aplicativo, que preferiu ter a identidade preservada.

O também motorista de aplicativo Fabiano Coelho afirma que os acidentes se tornaram frequentes. “Tem praticamente um acidente por semana ali. Só na semana passada aconteceram dois”, disse.

Outro motorista, Bruno Neves lembra de um dos casos mais marcantes registrados recentemente.

“Um caminhão carregado de pisos e caixas d’água tombou na serra e a pista ficou interditada durante horas. O trânsito só foi totalmente liberado perto das 22h”, relatou.

Proibição da circulação de caminhões

Vale lembrar que a circulação de veículos pesados é proibida na rodovia. Apesar disso, caminhões continuam sendo flagrados trafegando irregularmente pelo trecho.

Em abril, o ENFOCO mostrou que diversos caminhões trafegavam pela Serrinha de Itaipuaçu, mesmo com placas informando claramente a proibição para ônibus e caminhões.

Motoristas denunciam que a prática transformou a estrada em uma verdadeira “roleta-russa”. O trecho possui curvas fechadas, pista estreita, aclives e declives acentuados, características que tornam a circulação de veículos pesados extremamente perigosa.

Segundo relatos, as infrações ocorrem diariamente e em diferentes horários, principalmente durante a madrugada, sem fiscalização suficiente para impedir o tráfego irregular.

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No dia 26 de março, um caminhão tombou na subida da Serrinha, no sentido Maricá. O acidente interditou completamente a rodovia por várias horas, enquanto equipes realizavam a remoção do veículo.

Quatro dias depois, outro caminhão se envolveu em um acidente. O motorista de um caminhão-baú perdeu o controle do veículo na descida da serra, no sentido Niterói, e atingiu uma árvore. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o condutor sofreu apenas ferimentos leves, mas o trânsito precisou ser totalmente interditado.

Motociclistas e moradores afirmam que existe patrulhamento durante o dia, mas que a fiscalização diminui durante a madrugada.

“Todo dia tem caminhão que sobe e desce de madrugada. Tem um que entrega verduras em Maricá diariamente; ele sobe por volta das 4h30 e retorna logo depois”, contou um morador.

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Nem mesmo as placas informando que o trecho é monitorado por câmeras parecem intimidar os motoristas.

A Serra da Tiririca, uma das principais ligações entre a Região Oceânica de Niterói e Itaipuaçu, em Maricá, registra fluxo intenso de veículos diariamente, exigindo atenção redobrada dos motoristas, principalmente em trechos de curvas e descidas acentuadas.

Em nota, a Polícia Militar informou que o comando do 12º BPM realiza ações pontuais de intensificação do policiamento na Serra da Tiririca para coibir irregularidades e reforçar a segurança viária. A corporação também destacou o apoio do Proeis em Maricá e afirmou permanecer à disposição para atuar de forma integrada com outros órgãos.

O impasse sobre a responsabilidade do trecho persiste. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) esclareceu que, embora a RJ-102 seja uma rodovia estadual, o trecho em questão é de responsabilidade das administrações municipais. As prefeituras, no entanto, reforçam que o papel de fiscalização pertence ao Estado e suas forças de segurança.

Tayná Ferreira

Jornalista formada, apaixonada por contar histórias e dar voz a diferentes realidades. Atua principalmente na produção de reportagens especiais e na cobertura de temas relacionados a segurança pública e cidades. Estudante de Libras e defensora da causa animal. Instagram: @taynafjornalismo

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