A cantora Débora Cruz morreu nesta terça-feira (21), aos 45 anos. Filha do compositor Acyr Marques e sobrinha do sambista Arlindo Cruz (1958–2025), ela estava internada desde o início de julho e havia interrompido a carreira após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), a mesma doença que acometeu o tio em 2017.
A notícia foi divulgada pelo cantor Arlindinho, primo da artista, por meio das redes sociais. Em uma homenagem, ele destacou a importância de Débora para a família e para o samba, lembrando os momentos em que dividiram o palco.
“Hoje a nossa família se despede da sua voz mais linda. Tive a honra de dividir o palco com você, e esses momentos ficarão guardados para sempre na minha memória. Obrigado por tudo o que você representou para nós. Sua voz será eterna. Descanse em paz. Nós te amamos”, escreveu.
A equipe da artista informou que o velório ocorrerá nesta quarta-feira (22), das 13h10 às 14h, no Crematório São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Norte.
Homenagens de artistas e escolas de samba
A morte de Débora Cruz provocou grande comoção entre artistas e agremiações do carnaval carioca, que prestaram homenagens à cantora nas redes sociais.
A Unidos do Viradouro ressaltou o talento da artista e lembrou sua participação na ala musical da escola desde 2024, além de uma passagem anterior em 2016.
Em nota, a escola afirmou que Débora “viverá para sempre na arte, no samba e na memória de toda a Família Viradouro”, manifestando solidariedade aos familiares, amigos e admiradores.
A Mocidade Independente de Padre Miguel também lamentou a perda e recordou a longa parceria da cantora com a agremiação. Segundo a escola, ela integrou o carro de som por muitos anos e sempre representou a bandeira da verde e branca com dedicação e orgulho.
A Portela também prestou condolências, destacando que Débora deixou sua marca em todas as escolas por onde passou e desejando conforto aos familiares, amigos, integrantes do carnaval e fãs.
Diversos artistas também se manifestaram. A cantora Teresa Cristina comentou a publicação de Arlindinho lamentando a morte da sambista. O escritor e jornalista Fábio Fabato escreveu uma mensagem de apoio à família, enquanto Marcelo D2 publicou uma homenagem emocionada, afirmando estar “devastado” com a notícia e lembrando da convivência familiar e artística com Débora.
Trajetória no samba
Débora nasceu em uma família tradicional do samba. Era filha de Acyr Marques, compositor de sucessos como Insensato Destino e Coisa de Pele, e sobrinha de Arlindo Cruz.
Os primeiros contatos com a música aconteceram ainda na infância, quando cantava em uma igreja evangélica. Mais tarde, construiu carreira no samba, atuando como backing vocal e participando de apresentações e gravações ao lado de nomes como Carlos Dafé, Reinaldo, Xande de Pilares, Wander Pires e do próprio Arlindo Cruz.
No carnaval, integrou escolas como Arranco de Cascadura, Estácio de Sá, Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos do Viradouro.
Em 2002, ganhou projeção ao interpretar a canção Sambista de Fato, composta por seu pai especialmente para ela durante o Festival Fábrica do Samba, realizado no Maracanãzinho.
Débora atuava como cantora de apoio, participava de coros em gravações de sambas-enredo e também marcou presença em rodas dedicadas à obra de Arlindo Cruz (1958-2025) e de Acyr Marques (1953-2019). Ela ainda integrava o carro de som da Unidos do Viradouro há dois anos.