O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi colocado em prisão domiciliar nesta sexta-feira (6), em Assunção, por determinação do Ministério Público. Ele é investigado por suspeitas de abuso de confiança, gestão fraudulenta e outros possíveis crimes relacionados ao escândalo financeiro do banco Ueno. A informação foi divulgada pelo jornal paraguaio ABC.
A ordem foi cumprida por policiais na residência particular do ex-mandatário, que deverá permanecer no imóvel enquanto a Promotoria avança nas investigações e define as acusações formais. O ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, também teve a prisão decretada no mesmo caso.
O episódio envolve a administração de aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos pelo banco Ueno. Desse total, US$ 355 milhões estavam vinculados ao Instituto de Previdência Social do Paraguai. A instituição entrou em processo de liquidação, deixando cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas.
A ligação de Peña com o grupo empresarial responsável pelo banco também entrou no centro das investigações. Mesmo após assumir a Presidência, em agosto de 2023, ele manteve participação societária no Grupo Vázquez, conglomerado controlador do Ueno, até março de 2025.
A crise financeira desencadeou uma grave turbulência política no país e levou à saída de Peña do comando do Executivo. Pedro Alliana, então vice-presidente, assumiu a Presidência nesta sexta-feira, após a aprovação do impeachment do antecessor pelo Senado, por 44 votos favoráveis e uma abstenção.
A prisão ocorreu no mesmo dia da cerimônia de posse de Alliana. Durante o cumprimento da ordem judicial, dezenas de manifestantes se concentraram em frente à residência de Peña, enquanto a Polícia Nacional mantinha um cordão de segurança no local.
Impeachment
O afastamento de Peña foi aprovado pelo Senado paraguaio em meio à repercussão do caso Ueno. A decisão encerrou seu mandato, iniciado em agosto de 2023, e abriu caminho para a posse de Alliana. O escândalo financeiro, que atingiu clientes e recursos públicos, tornou-se o principal foco da crise política que culminou na mudança de comando do país.