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Erika Figueiredo - Filosofia de Vida

Harry e Meghan

Redação | Publicado em:

Divulgação

 





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Resolvi despir-me do preconceito e assistir à minissérie da
Netflix, sobre o duque e a duquesa de
Sussex, os quais abdicaram de seus deveres para com a coroa, em nome de uma
vida sem paparazzi e com paz. Será?

A história
de vida do príncipe Harry, todos nós conhecemos, ainda que por alto. Filho do
Príncipe Charles e da Princesa Diana, ainda criança vivenciou o sofrimento,
pelo falecimento prematuro da mãe, em Paris, em um acidente de carro. Foi
criado pelo pai e pela avó.

Tendo nascido
em meio às regras da realeza, Harry, por não ser o sucessor direto de seu pai,
foi mais poupado que o irmão, William, das expectativas da coroa. William é o
primeiro na linha de sucessão de seu pai, Charles, atual monarca britânico, que
herdou a coroa de sua recém falecida mãe, Elizabeth.

O príncipe estudou em Eton, um
colégio exclusivo para milionários europeus. Viajou o mundo, serviu por dez
anos nas forças armadas, abraçou um 
trabalho voluntário em Botswana … enfim, fez as próprias escolhas,
mesmo nascendo em berço esplêndido, no seio da monarquia mais poderosa do
mundo.

Nada disso,
entretanto, afastou-o do chororô vitimista, de que “não teve liberdade, foi
vigiado a vida inteira pela imprensa, teve suas decisões julgadas e
publicizadas, sem que ninguém tenha desejado saber quem era, no fundo, o
verdadeiro Harry,. Seu discurso era : sofria a perda da mãe, que fora
demonizada pela mídia, após o divórcio de seu pai”. Isso é dito exaustivamente
por ele mesmo, na minissérie.

Ao conhecer
Meghan,  pelo Instagram, Harry teria imediatamente
se apaixonado, mantendo o relacionamento em segredo, para poupá-la. Viajaram
para Botswana juntos, onde puderam conhecer-se melhor, e somente após três
meses, anunciaram o envolvimento amoroso. Meghan, que já era famosa nos EUA,
tornou-se uma celebridade mundial, em questão de segundos. Suas origens e seu
posicionamento político vieram à tona.

A criação de Meghan foi oposta à do
príncipe. Americana, filha de mãe negra e pai branco, a atriz foi criada por
ambos os pais, em um subúrbio californiano, frequentando os bastidores do
trabalho do pai, que era iluminador de tv. Tornou-se, após vários testes,  protagonista da série de tv Suits. Firmou-se
como feminista e ativista política, pelos direitos dos negros e das minorias. Tudo
que o Palácio Real evitava – polêmica – era oferecido de bandeja, neste namoro,
à imprensa e à opinião pública.

Ainda assim,
a escolha de Harry foi respeitada, pela família real. Entretanto, como toda
pessoa autocentrada, adepta do “discurso de ódio” e do vitimismo, Meghan incomodava-se,
não somente com a imprensa, mas com qualquer coisa que remetesse a um passado “racista
e escravocrata”, da Coroa Britânica, sentindo-se estigmatizada.

Até mesmo um broche, utilizado por
uma tia de Harry, com inspiração africana, incomodou-a, em uma solenidade. A
palavra “nigger” (negro), aliás, não é sequer pronunciada por ela ou pelo
esposo. Como se tudo girasse em torno de si, e todas as pessoas preocupassem-se
com suas opiniões, a todo instante, Meghan seguiu adiante, sentindo-se
discriminada por ser birracial, e por defender seus posicionamentos com
“independência”.

Meghan, com ar pesaroso, esclarece,
na série, que foi incessantemente perseguida pela mídia, fotografada em todos
os lugares e situações, teve a vida exposta e suas polêmicas declarações sobre
racismo e feminismo publicadas na mídia. Diz que sempre foi muito solitária, e
que viu na família real a chance de ter “muitos parentes” e sentir-se acolhida,
tendo se decepcionado com muitas coisas. Diz, ainda, que tinha, por hábito,
despedir-se das amigas , em mensagens, com a expressão “love happens”, e que
tudo que buscava, em sua relação, era amor, de seu marido e dos familiares
deste.

Contou ainda, que aprendeu as
reverências e as vestimentas adequadas, para frequentar as solenidades das
quais passou a fazer parte, “no google”, que nunca foi orientada sobre o que
dizer, como se comportar ou acerca do impacto de suas atitudes, no cenário
real, tendo ficado “perplexa” com a invasão de sua privacidade e as notícias
“maldosas” –com as quais a família real foi conivente – envolvendo seu nome e
seus familiares.

O curioso é que não tenha passado,
pela cabeça do casal, que isso tudo aconteceria… Harry foi criado nesta
família, e acompanhou o escândalo que envolveu o caso amoroso de seu pai,
Charles, com a hoje esposa, Camila Parkes Bowles. Viu sua mãe chorar,
ressentir-se e até vitimizar-se publicamente. Sabia que a imprensa não iria ser
“neutra” ou “civilizada”. Ele mesmo fora vitima dos tablóides , inúmeras vezes,
 acusado de consumo de drogas,
bebedeiras, brigas…

Ao escolher uma esposa tão diferente
de si mesmo e de sua família, que ostenta o título mais longevo do mundo, em
termos de monarquia, honrando a discrição e a tradição, o que ele imaginava? Os
escândalos sucediam-se, em uma profusão incontrolável. O pai de Meghan vendeu
fotos, por cem mil dólares. A meia irmã revelou intimidades da noiva, o que fez
com que não fossem convidados para o casamento, e Meghan entrasse na igreja com
o sogro. Prato cheio para a imprensa refestelar-se.

Sobretudo, Harry optou por fazer coro
ao discurso de “perseguição”, “palavras machucam”, “misoginia” e “racismo” da
mulher, esquecendo-se que a noção de honra e de dever, é o que os liga à coroa.
Há, ainda, a tradição e a submissão às regras familiares, vindo o sustento da
família real, dos impostos dos contribuintes, justamente pelo que esta
representa, para seu povo. Os privilégios e títulos têm seu preço: nada , nesta
vida, nos é dado graciosamente, sem que tenhamos que ofertar algo em troca.

Tamanha ingenuidade não pode ter sido
fomentada, em Harry, por seus parentes e preceptores. Afinal, ele é neto de
Elizabeth, que subiu ao trono por acaso, pois o tio renunciou à coroa, por uma
mulher divorciada, vindo seu pai a falecer, pouco tempo depois.  Coube à jovem de 26 anos, recém casada e mãe
de primeira viagem, a árdua tarefa de governar o Reino Unido.

Em um momento histórico extremamente
desafiador, subiu ao trono,   tendo desempenhado sua missão, com maestria e
sabedoria,  por longos 70 anos.  Todo o senso de dever, aliado à vontade
divina, foi personificado naquela jovem, em sua coroação, e durante seu reinado,
no qual manteve-se à sombra dos holofotes. Abdicar de prazeres terrenos,
colocando Deus e a coroa acima de todas as outras coisas, tendo isso como
missão sagrada, é a  nobre função de um
monarca, extensiva à sua família.

Enquanto o mundo moderno não
abandonar essas narrativas egocêntricas e vitimistas, para concentrar-se no que
realmente imposta, teremos casos similares ao desse casal, que abandonou seus
deveres – os quais juraram defender – por uma vida repleta de prazeres e
privilégios, de gratificação e reconhecimento, rompendo com a família e criando
uma bolha de convivência, na qual as únicas regras válidas, são as
estabelecidas por eles próprios.

O casal, que “lutou” por privacidade,
preservação da intimidade, bem como para pôr fim a boatos e notícias a seu
respeito, utilizando esses fatos, como argumentos, para renunciar a seus
deveres reais, resolveu, curiosamente, manter-se em evidência.

Harry segue com o título de príncipe,
e ele e a esposa não perderam seus títulos de Duque e Duquesa de Sussex. Por
não receberem mais dinheiro da realeza, face à abdicação das funções reais
oficiais, investem na produção de programas de televisão e podcasts, tendo
assinado um contrário milionário com a Netflix. Também escrevem livros, tais
como a autobiografia de Harry, que será lançada em 2023. A superexposição, no
fim das contas, rendeu altos dividendos…

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