O Carnaval brasileiro não se limita aos desfiles da Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, ou do Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, tradicionalmente associados à grandiosidade da festa. Em diferentes regiões do país, outras passarelas do samba foram erguidas para receber apresentações locais, mantendo viva uma tradição que mobiliza comunidades inteiras, movimenta a economia e transforma a rotina das cidades durante os dias de folia.
De estruturas monumentais no Norte a complexos culturais no Sul, esses sambódromos mostram que o Carnaval ultrapassa o circuito mais conhecido e se espalha pelo território nacional, ganhando sotaques, ritmos e formatos próprios em cada lugar onde o tamborim marca o compasso da celebração.
Conheça os sambódromos espalhados pelo Brasil:
Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho (Sambódromo de Manaus) – Manaus (AM)
Com capacidade para até cerca de 80 mil pessoas, havendo registros de público próximo de 100 mil em grandes eventos, o espaço tem aproximadamente 405 metros de extensão e foi inaugurado em 1994. Além de sediar os desfiles das escolas de samba, o local recebe shows, festivais e programações culturais, como o tradicional Boi Manaus, funcionando ao longo do ano como um dos principais centros culturais da capital amazonense e um dos maiores sambódromos do país.

Sambódromo de Artes Populares de Macapá – Macapá (AP)
A estrutura, mais compacta, comporta cerca de 5 mil pessoas por noite nas arquibancadas liberadas ao público e é voltada principalmente para os desfiles locais. O espaço também prioriza o acesso popular, com áreas gratuitas em parte da programação, mantendo forte ligação com a cultura carnavalesca da cidade.

Aldeia Amazônica David Miguel – Belém (PA)
Sem capacidade oficialmente padronizada divulgada, o espaço foi concebido como um complexo multiuso dedicado às manifestações culturais amazônicas. Além dos desfiles de Carnaval, recebe apresentações folclóricas, eventos regionais e atividades artísticas diversas, consolidando-se como um polo de valorização da cultura local.

Sambão do Povo (Complexo Walmor Miranda) – Vitória (ES)
A capacidade varia de acordo com a montagem anual das arquibancadas, já que a estrutura é modular e adaptada conforme a demanda de público. O local concentra os desfiles das escolas capixabas e também abriga eventos culturais ao longo do ano, sendo referência do Carnaval no Espírito Santo.

Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (CEPOP) – Campos dos Goytacazes (RJ)
Projetado para receber grandes eventos, o espaço tem capacidade variável conforme a configuração adotada em cada ocasião. O CEPOP foi pensado especialmente para os desfiles carnavalescos e apresentações populares, tornando-se o principal palco da folia no interior fluminense.

Sambódromo da Marquês de Sapucaí – Rio de Janeiro (RJ)
Com capacidade em torno de 80 mil pessoas, podendo chegar a cerca de 90 mil em configurações específicas, a passarela tem aproximadamente 700 metros de extensão e foi inaugurada em 1984. É o sambódromo mais conhecido do país e palco dos desfiles que ganharam projeção internacional, transformando-se em símbolo do Carnaval brasileiro.

Sambódromo do Anhembi – São Paulo (SP)
Inaugurado em 1991 e projetado por Oscar Niemeyer, o espaço tem capacidade atual para cerca de 30 mil pessoas. Integrado a um grande complexo de eventos, o sambódromo paulistano também recebe shows, feiras e celebrações cívicas, além dos tradicionais desfiles das escolas de samba.

Passarela do Samba Dráusio da Cruz – Santos (SP)
A capacidade é definida a cada edição do Carnaval, conforme a montagem das arquibancadas temporárias. O local atende aos desfiles das escolas da Baixada Santista e integra o calendário cultural da cidade.

Passarela Nego Quirido – Florianópolis (SC)
Com estrutura adaptável ao público de cada ano, a passarela concentra os desfiles das escolas catarinenses e é o principal ponto de encontro do Carnaval da capital, reunindo comunidade e turistas.

Complexo Cultural do Porto Seco – Porto Alegre (RS)
A capacidade é definida por módulos temporários de arquibancadas montados durante os desfiles. O complexo abriga a chamada “Cidade do Samba” gaúcha, reunindo barracões das escolas, áreas de produção e a pista oficial de apresentações.

Espaços desativados ou em projeto
Além dos locais em funcionamento, há sambódromos que enfrentam interrupções ou permanecem no papel. O chamado Ceilambódromo, no Distrito Federal, teve desfiles iniciados ainda na década de 1960, mas está sem atividades desde 2014 após mudanças estruturais e de localização.
Em Belo Horizonte, existe a proposta de criação de um espaço definitivo para desfiles, com previsão de uma “cidade do samba” integrada a equipamentos culturais, mas o projeto segue sem avanço concreto.
Já no interior paulista, o Sambódromo Municipal de Bauru permanece interditado há anos após danos provocados por erosão causada por chuvas intensas. Até 2025, não havia previsão oficial de reforma.
Carnaval como identidade nacional
A existência de sambódromos em diferentes regiões evidencia que o Carnaval brasileiro vai além dos grandes centros turísticos. Cada estrutura reflete características locais, com enredos que abordam histórias regionais, manifestações populares e temas ligados à identidade cultural de cada comunidade.
Assim, mesmo longe das passarelas mais televisionadas, o desfile das escolas de samba segue como tradição consolidada em várias partes do país, confirmando a dimensão nacional da maior festa popular brasileira.