O apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, comentou nesta sexta-feira (13), em vídeo publicado nas redes sociais, a repercussão das declarações feitas sobre a deputada Erika Hilton, após questionar a escolha dela para presidir a Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados.
Na gravação, o comunicador afirmou defender a população trans, mas sustentou que considera legítimo criticar decisões políticas. “Crítica política não é preconceito. É jornalismo, e eu não vou ficar em silêncio”, declarou. Ele também incentivou outros profissionais da imprensa a se manifestarem sobre o tema. “Falem, publiquem. Não fiquem em silêncio. Porque silêncio é conivência”, escreveu na legenda da publicação.
Após a repercussão, a equipe do apresentador havia informado que ele não faria comentários oficiais sobre o episódio. Em nota, a assessoria declarou que Ratinho “não se manifesta quando o assunto é de ordem jurídica”.
O que aconteceu
A controvérsia teve início durante a edição do Programa do Ratinho, exibida na última quarta-feira (11). Na ocasião, o apresentador criticou a escolha de Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados do Brasil.
Durante o programa, ele questionou a decisão. “Não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans”, disse. Em seguida, afirmou que o cargo deveria ser ocupado por uma mulher cisgênero e mencionou experiências como menstruação, gestação e parto ao justificar sua posição.
Ratinho também declarou não ter nada contra a deputada, mas questionou se ela teria vivência para compreender os desafios enfrentados por mulheres que nasceram biologicamente do sexo feminino.
Quais são as alegações de Erika Hilton?
Após a repercussão das declarações, Erika Hilton acionou o Ministério Público Federal contra o apresentador e o SBT.
No documento protocolado, a deputada argumenta que o discurso exibido no programa contribuiria para legitimar discriminação contra mulheres trans e travestis, ampliando a vulnerabilidade desse grupo no país.
“Sim, estou processando o apresentador Ratinho. O que ele cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim”, escreveu em suas rede sociais.
Na publicação, a parlamentar afirmou ainda que os comentários atingem mulheres trans e também mulheres cisgênero que não menstruam, que nunca tiveram útero ou que precisaram retirá-lo por razões médicas. Segundo ela, o caso será levado à Justiça contra o apresentador e a emissora.
Sim, estou processando o apresentador Ratinho.
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) March 12, 2026
Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência.
Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim.… pic.twitter.com/F9Suqaf3b8
Ainda na publicação, Hilton disse que os comentários atingem mulheres trans e também mulheres cis que nunca menstruaram, que não têm útero ou que passaram por procedimentos médicos que levaram à retirada do órgão.
Ao final do texto, Hilton voltou a criticar o apresentador e reafirmou sua identidade. “Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato”, escreveu.
Hilton pede indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos destinados à população trans e travesti. O pedido inclui ainda que Ratinho e a emissora façam uma retratação pública em horário e com duração equivalente à fala considerada ofensiva.
O que disse o SBT
Em comunicado divulgado na quinta-feira (12), o SBT afirmou que as declarações do apresentador foram feitas ao vivo e não representam a posição institucional da emissora.
Em nota enviada ao ENFOCO, o SBT afirmou que “repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa”. Ainda segundo a emissora, “as declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa”, informou a empresa.