O aumento de casos de sarampo em países que vão sediar a Copa do Mundo de 2026 levou o Ministério da Saúde a lançar, nesta quarta-feira (29), uma campanha nacional voltada a brasileiros que pretendem viajar para o evento. A estratégia busca evitar que infecções adquiridas no exterior reintroduzam o vírus no país, que voltou a ser considerado livre da doença recentemente.
Batizada de “Vacinar é muito Brasil”, a mobilização recomenda que turistas atualizem a caderneta de vacinação antes de embarcar para Estados Unidos, Canadá e México. Os três países concentram a maior parte dos registros recentes da doença no continente. Dados oficiais apontam que, só neste ano, as Américas já somam cerca de 17 mil casos, com maior incidência em território mexicano.
Apesar de manter o certificado de eliminação do sarampo desde 2024, o Brasil já confirmou três episódios em 2026, todos relacionados a circulação internacional de pessoas. Entre eles, estão um caso importado da Bolívia, outro envolvendo um estrangeiro e uma infecção registrada em uma trabalhadora do setor hoteleiro no Rio de Janeiro.
Durante o lançamento da campanha, realizado no Rio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o foco inicial são os viajantes, mas também profissionais que lidam diretamente com turistas, como funcionários de hotéis, restaurantes e transporte. Segundo ele, a medida faz parte de um esforço para manter a doença fora do país.
Imunização
A proteção contra o sarampo é feita com a vacina tríplice viral, que também previne caxumba e rubéola. A orientação é que a dose seja aplicada pelo menos 15 dias antes da viagem, garantindo tempo para a imunização.
O calendário inclui uma dose extra, chamada “dose zero”, para bebês entre 6 e 11 meses que forem viajar. Crianças e jovens de até 29 anos devem tomar duas doses, enquanto adultos até 59 anos precisam de uma. Idosos, em geral, não são o público-alvo, mas podem se vacinar caso estejam aptos e se desloquem para áreas de risco.
O ministério reforça que qualquer pessoa sem comprovação vacinal deve procurar um posto de saúde. A pasta alerta que o sarampo é altamente transmissível e pode evoluir para quadros graves, com internação e até morte.
O governo também relembrou que o Brasil perdeu o status de país livre da doença em 2019, após queda na cobertura vacinal e aumento de casos importados. A certificação só foi recuperada anos depois, com a retomada das campanhas de imunização.