Vivendo a maior crise financeira da companhia, a Casas Bahia entrou na Justiça de São Paulo, na noite de domingo (16), com recurso para reorganização judicial em tentativa de fugir da falência. Segundo o grupo de varejo, as estratégias adotadas para reestruturar as operações não foram suficientes para conter o crédito restrito, juros elevados e o consumo pressionado dos clientes. Ao todo, são R$ 17,3 bilhões em dívidas.
As três justificativas foram apresentadas pelo CEO do grupo, o empresário Renato Franklin, que ressaltou que havia um plano para reorganizar as dívidas e trabalhar na reestruração das operações de lojas, que era focado principalmente reduzir a alavancagem financeira e aumentar o fluxo de caixa livre.
O plano foi frustado, no entanto, pelo que Franklin descreveu como ‘deterioração do cenário macroeconômico’, argumentando que as mudanças nos acordos de crédito e retração nas compras das famílias inviabilizou a reestruturação. De acordo com o executivo, o plano da companhia ainda previa aporte de capital, via equity, ou por novas linhas de crédito, expectativas que foram encerradas pela maior aversão ao risco.

Para enfrentar a crise, a Casas Bahia afirma que a decisão de pedir recuperação judicial faz parte da chamada ‘Fase 2’ do plano de reestruturação, onde será priorizado o retorno do capital empregado e a margem operacional para aumentar o volume de vendas.
Como parte das ações imediatas, a companhia confirmou que fechou 298 lojas, que eram consideradas de baixo desempenho, na tentativa de enxugar custos estruturais e reformular os canais digitais do grupo.
A empresa ainda reforça que, apesar da entrada em recuperação judicial, as operações físicas e digitais continuam a funcionar normalmente, sem interrupção nas vendas, entregas ou no relacionamento com parceiros comerciais.