Dois réus pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete foram condenados pelo Tribunal do Júri, na terça-feira (14), após dois dias de julgamento em Salvador.
Arielson da Conceição Santos, apontado como executor, recebeu pena de 29 anos e 9 meses de prisão. Marílio dos Santos, acusado de ser o mandante, foi condenado a 40 anos, 5 meses e 22 dias e está foragido.
Ambos foram condenados por homicídio qualificado, com motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma restrita.
Outros três acusados ainda aguardam julgamento: Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, também apontado como mandante.
A Anistia Internacional considerou a decisão um avanço, mas destacou a importância de julgar todos os envolvidos.
Mãe Bernadete foi morta aos 72 anos, com 25 tiros, dentro de casa, no Quilombo Pitanga dos Palmares (BA), em agosto de 2023. Homens armados invadiram o local, fizeram familiares reféns e executaram a líder.
Ela atuava na defesa de comunidades quilombolas e já havia denunciado ameaças. Também participava do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.
Devido à repercussão do caso, o julgamento foi transferido para Salvador para garantir imparcialidade.