Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A morte da atriz foi confirmada pela família. Considerada um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, ela construiu uma carreira de mais de 60 anos e ficou marcada por personagens que atravessaram diferentes gerações. Segundo a assessoria de imprensa da artista, a morte foi por causas naturais.
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934, Nilcedes Soares Guimarães começou a se aproximar das artes ainda jovem. Antes de escolher a atuação, estudou piano. Na década de 1950, entrou para a Escola de Artes Dramáticas, mas deixou o curso antes de concluí-lo.
A estreia profissional aconteceu no teleteatro da TV Tupi. Em 1959, ela também apareceu em sua primeira novela, “Um Lugar ao Sol”, da TV Excelsior. No ano seguinte, passou a usar o nome artístico que a consagraria e chegou aos palcos em “As Feiticeiras de Salém”, de Arthur Miller, com direção de Antunes Filho.
O cinema também teve um papel importante na trajetória da atriz. Em 1962, Glória interpretou Rosa em “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte. O filme, estrelado por Leonardo Villar, conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Glória também ganhou destaque em personagens bem diferentes. Em “Brega & Chique”, de 1987, interpretou uma dona de casa que muda de vida após receber uma grande herança. Três anos depois, em “Rainha da Sucata”, viveu Laurinha Figueroa, uma socialite falida que tentava esconder a nova realidade financeira. A sequência em que a personagem se joga de um prédio na Avenida Paulista entrou para a memória da teledramaturgia.
No teatro, a atriz também encarou papéis que exigiram transformações. Em 2000, em “Jornada de um Poema”, interpretou uma professora com câncer e raspou os cabelos para a personagem. Anos depois, repetiu a mudança visual em “Jóia Rara”, quando viveu uma monja tibetana.
A volta ao cinema aconteceu em 2006, após cerca de duas décadas longe das telas, com a comédia “Se Eu Fosse Você”, de Daniel Filho. Na televisão, um de seus últimos trabalhos foi “Totalmente Demais”, em que interpretou Stelinha, mãe de Arthur, personagem de Fabio Assunção.
Uma vida ao lado de Tarcísio Meira
Glória Menezes e Tarcísio Meira se conheceram nos bastidores da televisão e transformaram a parceria profissional em uma história de amor que durou mais de cinco décadas. Antes mesmo de chegarem às novelas, os dois já haviam contracenado no teleteatro da Tupi.

Em 1964, a dupla protagonizou “2-5499 Ocupado”, da TV Excelsior, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. Foi durante a produção que os dois iniciaram o romance e se casaram. A partir daí, formaram um dos casais mais conhecidos da dramaturgia nacional.
Na Excelsior, ainda trabalharam juntos em “A Deusa Vencida” (1965) e “Almas de Pedra” (1966). No ano seguinte, estrearam na Globo em “Sangue e Areia” (1967). A parceria continuou em novelas como “Rosa Rebelde” (1969), “Irmãos Coragem” (1970), “O Homem que Deve Morrer” (1971), “Cavalo de Aço” (1973), “O Semideus” (1973) e “Espelho Mágico” (1977).
Em “Irmãos Coragem”, Glória chamou atenção ao interpretar três personagens: Lara, Diana e Márcia, mulheres com personalidades diferentes.
A dupla voltou a dividir a tela em 1988, desta vez no seriado “Tarcísio & Glória”, criado por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon. Além de protagonistas, os dois também atuaram como produtores da atração, que marcou o início de uma linha de coprodução da Globo. Tarcísio ainda dirigiu alguns episódios.
Na série, Glória interpretava Ava Becker, uma cientista extraterrestre que chegava à Terra para estudar os homens e acabava se envolvendo com Bruno Lazzarini, empresário corrupto vivido por Tarcísio.
A parceria entre os dois também era levada para a vida profissional. Glória já havia definido a relação com o marido como uma troca baseada em respeito e colaboração, com críticas construtivas para que ambos pudessem melhorar o trabalho.
Tarcísio Meira morreu em agosto de 2021, aos 85 anos, após complicações da Covid-19. Naquele período, Glória também chegou a ser internada com a doença. Anos depois, Tarcísio Filho contou sobre a dificuldade de comunicar à mãe a morte do marido.
Além de Tarcísio Filho, Glória Menezes tinha outros dois filhos, frutos de seu primeiro casamento.