A descoberta de um passaporte antigo de Eliza Samudio em Portugal voltou a chamar atenção para o caso que abalou o Brasil em 2010. O achado do documento, ocorrido na última sexta-feira (2), foi comunicado ao Itamaraty pelas autoridades diplomáticas brasileiras. O corpo de Eliza está desaparecida há 15 anos, e o ex-goleiro Bruno foi condenado pelo assassinato da modelo.
O passaporte foi entregue ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, que repassou a informação ao Ministério das Relações Exteriores, em Brasília.
“Recebemos o documento e fizemos a comunicação oficial ao Itamaraty, informando que o passaporte foi encontrado e entregue ao consulado. Neste momento, aguardamos instruções sobre os próximos passos com relação ao documento”, informou o Consulado-Geral do Brasil em Portugal, em nota.
O documento foi localizado por um morador de um imóvel compartilhado na capital portuguesa. Segundo o relato, o passaporte estava guardado em uma estante, entre livros, e a identificação da dona foi imediata por causa da fotografia.

De acordo com o morador, a grande repercussão do caso fez com que ele reconhecesse Eliza assim que viu a imagem, sem a necessidade de conferir o nome impresso no documento.
As informações preliminares indicam que o passaporte não é uma segunda via, encontra-se bem conservado e com todas as páginas preservadas. Consta apenas um registro de entrada em Portugal, datado de 5 de maio de 2007, três anos antes do desaparecimento de Eliza, sem qualquer anotação de saída do país.
Eliza foi assassinada no Brasil em 2010, três anos depois da viagem registrada no passaporte. Não se sabe oficialmente como ela retornou ao país. Uma das hipóteses levantadas é a de que o documento tenha sido perdido e que ela tenha solicitado uma autorização especial para voltar ao Brasil.
Até o momento, não foi possível determinar quem deixou o passaporte no local nem há quanto tempo ele estava guardado ali.
Posicionamento da família
Maria do Carmo, madrinha do filho de Eliza com Bruno e representante legal de dona Sônia, mãe da modelo, declarou que o aparecimento do passaporte não altera a convicção da família de que Eliza está morta.
Segundo ela, a família considera negativa a repercussão do caso e avalia o episódio como mais um sofrimento para dona Sônia e para o neto, Bruninho, afirmando que a situação impede que a família tenha tranquilidade.
Maria do Carmo também afirmou que não pode confirmar a autenticidade do documento, mas destacou que, caso seja verdadeiro, a família deseja ter acesso ao passaporte.
Relembre o crime
Conforme a denúncia, Eliza foi levada à força do Rio de Janeiro para um sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG), onde foi mantida em cárcere privado.
Depois, a vítima foi entregue para o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que a asfixiou e desapareceu com o corpo, não encontrado. O bebê Bruninho foi achado com desconhecidos em Ribeirão das Neves (MG).
Bruno foi para o regime semiaberto em 2018 e está em liberdade condicional desde janeiro de 2023. Chegou a jogar bola profissionalmente quando deixou a prisão.