O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passará a cumprir prisão em uma cela individual de cerca de 6 metros quadrados na Penitenciária Federal de Brasília, uma das unidades de segurança máxima do país. O espaço é simples, com cama, mesa e banheiro de concreto, sem televisão e sem acesso direto a meios de comunicação externos.
A transferência do empresário para o presídio federal ocorreu nesta sexta-feira (6), após ele ter sido levado inicialmente para a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo. Segundo a Polícia Federal, a mudança de unidade foi solicitada por razões de segurança, pedido que acabou autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Na penitenciária federal da capital, Vorcaro ficará em uma cela padrão utilizada por detentos do sistema de segurança máxima. O espaço tem cerca de 6 m² e conta com cama, mesa, assento e estrutura de banheiro com pia, vaso sanitário e chuveiro, todos feitos de concreto.
Não há televisão nem tomadas elétricas no local. A iluminação e o funcionamento do chuveiro são controlados pela administração do presídio e acionados em horários previamente definidos.
A unidade foi inaugurada em 2018 e fica ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Como é a estrutura?
A Penitenciária Federal de Brasília possui 208 celas individuais, todas com aproximadamente 6 metros quadrados. As unidades estão distribuídas em quatro blocos dentro de um complexo com cerca de 12,3 mil metros quadrados de área construída.
O presídio conta com monitoramento permanente feito por agentes penitenciários e por câmeras que registram imagens e sons em tempo real. As informações são enviadas para a sede da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
A segurança inclui ainda quatro torres de vigilância e uma muralha de cerca de 9 metros de altura e 16 metros de profundidade, projetada para impedir fugas. As paredes da estrutura são feitas de concreto armado, justamente para resistir a explosões.
Além da muralha, o complexo possui cercas e fossos que funcionam como barreiras adicionais de segurança.
Como é a rotina no presídio?
As regras nas penitenciárias federais são consideradas algumas das mais rígidas do sistema carcerário brasileiro.
Os detentos permanecem a maior parte do tempo nas celas e têm direito a duas horas de banho de sol por dia, sempre sob vigilância. Não há acesso a rádio, televisão ou qualquer tipo de comunicação externa.
Visitas de familiares e advogados ocorrem por meio de parlatório ou videoconferência.
Entre as normas do sistema estão:
- O preso é revistado sempre que sai da cela.
- A cela também é inspecionada sempre que o detento deixa o local.
- Deslocamentos internos são feitos com o preso algemado.
- Cada movimentação é acompanhada por ao menos dois agentes penitenciários.
- Toda a rotina é monitorada por circuito interno de câmeras.
Imagens de Vorcaro após a prisão
Fotos divulgadas após a entrada de Vorcaro no sistema prisional mostram o banqueiro durante os procedimentos de admissão na unidade em Potim. Assim como ocorre com outros detentos, ele passou por revista pessoal e de pertences, higienização obrigatória, registro fotográfico e coleta de impressões digitais.
Também foi submetido ao corte de cabelo conforme as normas do presídio e trocou as roupas civis pelo uniforme carcerário.

A divulgação das imagens provocou reação da defesa do banqueiro. Em nota, os advogados afirmaram ter recebido com “surpresa e indignação” o vazamento das fotos dentro da unidade prisional.
Segundo a defesa, a exposição do cliente indicaria que “não há limites para o vazamento de informações com o objetivo de desgastar e humilhar” o investigado. Os advogados disseram ainda que pretendem pedir a abertura de investigação para apurar a divulgação das imagens consideradas sigilosas.
Prisão de Vorcaro
Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.

A investigação apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos. Segundo a PF, o caso envolve suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
O cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, também teve mandado de prisão expedido, mas ainda não foi localizado.
A operação foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça e incluiu 15 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. As investigações contam com apoio do Banco Central.
Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado ao tentar embarcar para a Europa, sob suspeita de tentativa de fuga. Ele também era esperado para prestar depoimento nesta semana à CPI do Crime Organizado, em Brasília.