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    Indignação

    'Mataram a família de novo', diz mãe de João Pedro após decisão

    Justiça absolveu policiais acusados pela morte do jovem

    Publicado 10/07/2024 às 11:36 | Atualizado em 10/07/2024 às 15:33 | Autor: Lucas Luciano
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    "Na favela, a polícia tira vidas", afirma Rafaela Santos, mãe de João Pedro
    "Na favela, a polícia tira vidas", afirma Rafaela Santos, mãe de João Pedro |  Foto: Karina Cruz
    A sentença foi proferida nesta terça-feira (9)
    A sentença foi proferida nesta terça-feira (9) |  Foto: Arquivo / Enfoco

    A família de João Pedro, adolescente de 14 anos assassinado durante uma operação no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, manifestou-se sobre a decisão da Justiça de absolver sumariamente os três policiais acusados pelo caso. A sentença foi proferida nesta terça-feira (9).

    Em entrevista exclusiva ao ENFOCO, a mãe do jovem, Rafaela Santos, compartilhou sua indignação com a absolvição dos agentes, que para ela representa "mais de quatro anos de impunidade".

    Leia +: Caso João Pedro: policiais são absolvidos pela morte de adolescente

    Leia +: 'Dor não acaba', diz mãe de João Pedro quatro anos após o crime

    Aspas da citação
    Estamos indignados com a falta de consideração
    Rafaela Santos mãe
    Aspas da citação

    "Inesperado. Ficamos muito abalados com a notícia. Esperávamos que o caso fosse a júri popular, mas nem isso aconteceu. É uma decisão que mata a família mais uma vez. Estamos indignados com a falta de consideração e respeito demonstrados por essa escolha. São mais de quatro anos de impunidade", desabafou Rafaela.

    'Legítima defesa'

    O caso ocorreu em 18 de maio de 2020. Os agentes Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister eram réus por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e fútil, e respondiam em liberdade.

    Aspas da citação
    Houve troca de tiros dentro da residência
    Juliana Bessa juíza
    Aspas da citação

    Na decisão desta terça-feira, a juíza Juliana Bessa Ferraz Krykhtine, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, entendeu que os policiais agiram apenas em legítima defesa. "Após a análise das peças técnicas, houve troca de tiros dentro da residência de João Pedro", citou na sentença.

    Familiares esperavam levar o caso a júri popular
    Familiares esperavam levar o caso a júri popular |  Foto: Arquivo / Enfoco

    Este argumento, entretanto, na visão da família que esperava levar o caso a júri popular, é totalmente irracional e não corresponde à realidade.

    Aspas da citação
    Não houve nenhum sinal de ameaça real
    Rafaela Santos mãe
    Aspas da citação

    "É um argumento absurdo baseado em coisas que foram forjadas. Não houve confronto. Não entendemos o argumento. Alegar legítima defesa nessas circunstâncias é completamente irracional. Não houve nenhum sinal de ameaça real que justificasse os tiros", declarou a mãe.

    Sensação de impunidade

    Diante dessa decisão, Rafaela e os familiares demonstram interesse em recorrer da sentença.

    Aspas da citação
    Vamos recorrer e continuar lutando
    Rafaela Santos mãe
    Aspas da citação

    "A justiça claramente decidiu pela impunidade de um crime. Estamos assistindo a isso sem poder fazer nada. É uma injustiça gritante que nos deixa sem palavras. Vamos recorrer e continuar lutando até que a verdade prevaleça e a justiça seja finalmente feita. A luta continua", enfatizou Rafaela.

    "Na favela, a polícia tira vidas", afirma Rafaela Santos, mãe de João Pedro
    "Na favela, a polícia tira vidas", afirma Rafaela Santos, mãe de João Pedro |  Foto: Karina Cruz

    Questionada se a origem de João Pedro, jovem de comunidade, influenciou na maneira como a Justiça tratou o caso, Rafaela não hesitou em afirmar:

    Aspas da citação
    Essa é a realidade diária do estado do Rio de Janeiro
    Rafaela Santos mãe
    Aspas da citação

    "Com certeza influenciou. Não podemos ignorar que, na favela, a polícia não só aponta a arma, mas também tira vidas. Isso é um absurdo que não pode ser esquecido. Essa é a realidade diária do estado do Rio de Janeiro que precisamos enfrentar todos os dias."

    O caso

    O caso ocorreu em 18 de maio de 2020, durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. João Pedro foi baleado e morto aos 14 anos após a polícia invadir sua casa. O relato da família descreve um cenário de terror, com policiais atirando sem consideração pela presença de crianças na residência.

    O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou três policiais por homicídio e fraude processual. As sete audiências ocorridas ao longo desses anos incluíram depoimentos de testemunhas de acusação, policiais federais e delegados da Polícia Civil responsáveis pela investigação do crime.

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