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Niterói

Palhaço Alegria: o artista que encanta no Centro de Niterói

Redação | Publicado em:

Lucas Alvarenga



No sinal da Avenida Rio Branco, no Centro de Niterói, em frente ao movimentado Plaza Shopping, quem passa apressado pode não perceber de imediato, mas entre os carros está Welington Medeiros Batista, de 36 anos, mais conhecido como “Palhaço Alegria”. Morador do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, ele transforma o cenário niteroiense através da palhaçaria no sinal.

Com o rosto pintado em figuras geométricas coloridas e o colete refletivo, Welington leva a arte da palhaçaria para a correria dos sinais em uma carreira que começou há mais de duas décadas, quando ainda era adolescente.

Ao observar os amigos que se apresentavam no Leblon, na Zona Sul do Rio, manipulando objetos, Wellington se encantou de imediato pela arte do malabarismo.

‘’Fui começando no ‘pepé’. Meus amigos já faziam. Então ali eu fiquei, fui aprendendo e fui aprimorando’’, conta o palhaço. 

Depois de um tempo, quando já dominava a habilidade dos malabares, decidiu começar a se apresentar nos sinais em 2002. Já na Cidade-Sorriso, seu primeiro palco foi a Rua Coronel Gomes Machado. Depois, foi a vez da Avenida Marquês de Paraná ser agraciada com o carisma contagiante do palhaço.



Com a frequência das apresentações e o sucesso das performances, Weligton buscou um modo pelo qual não fosse esquecido.

‘’Tem que ter um figurino que a pessoa te reconheça e saiba que você está ali. Eu vi um palhaço maquiando o rosto e aí ele me falou: ‘1Cara, pinta o rosto que você vai chamar mais atenção’. Aí eu pintei e comecei a ser conhecido como o Palhaço Alegria”, revelou. 

Foi deste modo que o palhaço conseguiu se afastar do vício nas drogas. Por seis anos, Wellington viveu o vício de perto. Usuário de crack desde os 16 anos, ele diz que encontrou forças para sair dessa situação aos 22 anos, mesma época em que também se firmou na doutrina evangélica.



Alegria. É com esse sentimento e um sorriso que atravessa o rosto, que o carioca arranca sorrisos dos pedestres e motoristas que passam apressados.

‘’Às vezes eu tô cabisbaixo e vem pessoas dentro do carro que passam e falam: ‘’Vamos embora alegria! Vamos embora alegria! Vamos! Vamos! Não fica triste não! Vai dar tudo certo!’ porque já é um jargão’’, compartilha Welington.



A rua e os desafios 

Apesar disso, o público da rua é imprevisível. Para cada sorriso e moeda que recebe, há também olhares de desdém. Além de depender da boa vontade dos motoristas, Welington enfrenta a hostilidade de alguns. Ele já vivenciou situações em que foi xingado e sofreu crime de racismo.

‘’80% do público é sensacional! E os 20% ? Esses a gente trata com amor, que aí eles ficam constrangidos com aquilo que nós transmitimos. Já mandaram o dedo pra mim, já me chamaram de macaco’’, contou.

Mesmo com os desafios diários, Welington Medeiros Batista não pensa em desistir, já que  desta maneira que ‘’ganha o pão de cada dia’’ e sustenta a família, composta pela mãe, a esposa e o filho de 2 anos.

Hoje, além de Niterói, ele também se apresenta em outras regiões do Rio, como a Lagoa Rodrigo de Freitas e Benfica, na Zona Sul e Norte carioca respectivamente, levando sua arte para diferentes públicos. Ainda assim, o palhaço é cobrado a voltar para Niterói, onde é impresso como figurinha marcada.



Apesar de ser sua principal fonte de renda, o palhaço não descarta seus objetivos. Tirar carteira de habilitação e comprar uma moto para atuar nas horas vagas como motorista de aplicativo.

‘’Hoje minha meta é tirar minha habilitação, comprar uma moto, trabalhar através de aplicativo. Não que eu vá abandonar a rua, mas eu preciso ter uma outra fonte de renda, porque hoje sou totalmente dependente do sinal. Minha vida é isso aqui, é daqui que tiro meu sustento, pago minhas contas e cuido da minha família’’, conclui.

O Palhaço Alegria também compartilha sua rotina em seu Instagram, no qual aparece como @palhaco109.

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