A quinta audiência de conciliação entre o Sindicato dos Rodoviários e as empresas de ônibus do Rio de Janeiro terminou sem consenso nesta quarta-feira (22), no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ), no Centro da capital. Com o impasse, o estado de greve da categoria continua mantido.
Os trabalhadores marcaram uma nova assembleia para esta quinta-feira (23), às 16h, quando serão apresentados os desdobramentos das negociações e discutidos os próximos passos do movimento.
Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, a proposta apresentada pelas empresas repetiu praticamente os mesmos termos das rodadas anteriores e não atendeu às principais reivindicações da categoria.
De acordo com o dirigente, a oferta prevê reajuste de 5% nos salários e de 6% no valor da cesta básica, o que representa um acréscimo de R$ 38 ao benefício. Ele também criticou a ausência de avanços em pontos considerados essenciais, como o pagamento da indenização pelo intervalo de refeição e melhorias no plano de saúde. Sebastião afirmou ainda que os trabalhadores enfrentam dificuldades diárias por não terem tempo adequado para se alimentar durante a jornada.
Diante da falta de acordo, o TRT estabeleceu um prazo de dez dias para que sindicato e empresas apresentem formalmente suas propostas. Após essa etapa, o dissídio coletivo seguirá para julgamento pela Justiça do Trabalho.
Mesmo assim, o presidente do TRT da 1ª Região, desembargador Gustavo Tadeu Alckmin, explicou que as negociações poderão ser retomadas caso uma nova proposta seja apresentada e aceita pelas duas partes antes da decisão judicial.
Se não houver entendimento, o processo seguirá sua tramitação normal, com apresentação das manifestações dos envolvidos, parecer do Ministério Público do Trabalho e distribuição do caso a um desembargador relator, que levará o dissídio para julgamento pelo colegiado.
A proposta apresentada pelo sindicato patronal, Rio Ônibus, foi rejeitada pelos rodoviários. Além do reajuste salarial e do aumento da cesta básica, a oferta previa que não haveria desconto desse benefício nos dias em que os trabalhadores aderiram à paralisação. A categoria já havia recusado uma proposta semelhante durante a audiência realizada na semana passada.
As negociações se arrastam desde o início do mês e já passaram por adiamentos e sucessivas tentativas de conciliação. Em uma das rodadas anteriores, o Rio Ônibus chegou a elevar a proposta de reajuste salarial de 4,39% para 4,5%, percentual também aplicado à cesta básica, mas a oferta não foi suficiente para encerrar o impasse.
Sobre a greve
A greve dos rodoviários começou à meia-noite do dia 29 de junho e durou três dias. Durante a paralisação, a Justiça determinou que pelo menos 80% da frota permanecesse em circulação. No entanto, no primeiro dia do movimento, menos de mil ônibus circularam pela cidade. O Rio Ônibus também informou que cerca de 50 veículos foram depredados durante a greve.
No dia 1º deste mês, uma assembleia com aproximadamente 1,5 mil trabalhadores decidiu suspender a paralisação, mantendo, porém, o estado de greve. Desde então, a operação dos ônibus foi normalizada, mas a categoria não descarta uma nova interrupção caso as negociações continuem sem avanços.
Além das reivindicações salariais, os rodoviários cobram melhorias nas condições de trabalho, incluindo a ampliação da assistência médica, o pagamento pelo intervalo de refeição e o aumento da cesta básica. A categoria também denuncia problemas de infraestrutura enfrentados diariamente, como a falta de banheiros, locais apropriados para refeições e acesso à água potável em terminais e pontos finais.