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Moradores se desesperam toda vez que chove forte. Foto: Péricles Cutrim

O medo virou rotina na vida da jornalista Rosite Val de Souza, de 52 anos, moradora da Rua Marechal Floriano Peixoto, no bairro Covanca, em São Gonçalo. Desde 2010, quando um deslizamento destruiu muros e interditou um imóvel nos fundos de sua casa, ela afirma viver momentos de pânico toda vez que chove forte.

Nesta semana, o desespero voltou com a intensidade das chuvas. Segundo Rosite, um grande volume de água desceu da encosta localizada atrás de sua residência, formando o que ela descreve como uma “cachoeira” dentro do quintal.

Rosite relembra que, na madrugada do deslizamento do Morro do Bumba, em 2010, moradores da região onde ela mora também foram surpreendidos pelo barulho da terra cedendo.

“Quando a gente escutou o barulho atrás, não deu tempo. Veio um mar de lama. Os muros de contenção explodiram”, contou.

Segundo ela, uma árvore caída ajudou a conter parte da lama, evitando que o volume atingisse proporções ainda maiores. A Defesa Civil esteve no local e interditou uma das casas atingidas, que permanece fechada até hoje.

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Escadaria vira cachoeira toda vez que chove forte. Foto: Péricles Cutrim

A moradora afirma que, desde então, nenhuma obra estrutural foi realizada na encosta. Em 2010, um engenheiro da prefeitura teria apontado a necessidade de contenção e reflorestamento da área como solução para reduzir o risco de novos deslizamentos.

“Disseram que precisava fazer contenção de encosta e reflorestamento para segurar a terra. Até hoje, nada foi feito”, relatou.

De acordo com Rosite, o cenário se agrava com as mudanças climáticas e o aumento da intensidade das chuvas.

“Quando começa a chover forte, a gente olha para trás e fica controlando a cor da água. Se começa a ficar mais escura, a gente entra em pânico, porque não sabe se vem mais terra junto”, disse.

Ela descreve a situação como uma sequência de “pequenos infartos”, diante da tensão constante.

“Eu entro em pânico, começo a chorar e a rezar. Mesmo se estou trabalhando ou na rua, quando vejo chuva forte, fico desesperada”, contou.

A moradora relata que já participou de reuniões e ações coletivas ao longo dos anos para cobrar providências. Segundo Rosite, a comunidade busca uma solução definitiva, como a construção de contenção na encosta e medidas de drenagem adequadas.

Até a publicação desta reportagem, a Defesa Civil não havia se pronunciado sobre a situação.

Tiago Souza

Tiago Souza

Atuante no jornalismo desde 2014, acumulando experiências em diferentes meios de comunicação, como TV, rádio e portais de notícias. Possui facilidade para escrever em diferentes editorias, com destaque para pautas policiais e factuais no hard news. LinkdIn: @tiago-souza-21b29919a/