O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou um coronel do Corpo de Bombeiros por ameaçar quatro sargentos que atuam como testemunhas em uma investigação sobre suposto assédio sexual dentro da corporação. Além da denúncia, o órgão pediu à Justiça Militar a prisão preventiva do oficial. O pedido ainda será analisado pelo Juízo da Auditoria da Justiça Militar, que recebeu a ação nesta quarta-feira.
De acordo com o MPRJ, as ameaças ocorreram em 29 de junho deste ano. O oficial teria enviado mensagens pelo WhatsApp utilizando um número cadastrado em nome de outra pessoa. Segundo a investigação, o conteúdo fazia referências ao procedimento em andamento, aos depoimentos já prestados e aos fatos apurados, indicando que ele tinha conhecimento da apuração.
Ainda segundo a denúncia, as mensagens buscavam influenciar o relato das militares. O coronel teria afirmado que elas estariam sendo manipuladas por terceiros, sugerido que reconsiderassem suas declarações e dito que ainda havia tempo para “reparar o dano” causado. Também foram feitas referências a familiares das sargentos, o que, para o Ministério Público, gerou medo e constrangimento.
O MPRJ destaca que a gravidade das ameaças é ampliada pela relação hierárquica entre o denunciado e as testemunhas, todas militares recém-ingressas na corporação.
O caso tem ligação com outra denúncia apresentada em julho pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP) do MPRJ. Na ação penal, o oficial responde por assédio sexual após, segundo a acusação, enviar mensagens consideradas inadequadas a uma subordinada entre o fim de 2024 e julho de 2025, com o objetivo de obter favorecimento sexual.
Na ocasião, a Justiça Militar determinou uma série de medidas cautelares contra o coronel, a pedido do GAESP. Entre elas estão a suspensão do porte de arma, a proibição de manter contato com a vítima e as testemunhas, o impedimento de entrar no quartel do Comando-Geral do Corpo de Bombeiros e a proibição de fazer manifestações públicas sobre as pessoas envolvidas no processo.
O que diz a corporação
Procurado pela reportagem, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) informou, em nota, que a Corregedoria Interna “tem conhecimento dos fatos e, desde o início, adotou as providências cabíveis para a devida apuração”. A corporação afirmou ainda que o caso “foi objeto de Inquérito Policial Militar, instaurado com a finalidade de apurar as informações que constituíram alvo da denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro”.
O CBMERJ acrescentou que “não comenta o mérito da denúncia nem atos de processo judicial em curso” e que eventuais medidas administrativas “serão avaliadas conforme a legislação vigente, com observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa”.