Em cima do prazo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escolheu, nesta quarta-feira (5), o candidato à vice-presidência da República para integrar a chapa do Partido Liberal (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto. Pressionado por aliados e opositores, o filho do ex-presidente optou por escolher o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), parlamentar investigado por mais de um crime na esfera federal.
No anúncio do vice, Flávio Bolsonaro declarou que a chapa precisava de um nome forte no Nordeste brasileiro, afirmando que a decisão fazia parte de uma ‘visão de desenvolvimento’ para o país. O senador também declarou que, das opções que tinham, Gaspar era o principal nome no fortalecimento da segurança pública e combate ao crime organizado.
Ex-promotor de Justiça de Alagoas, Gaspar entrou na vida política em 2020, quando disputou e perdeu a Prefeitura de Maceió contra João Henrique Holanda Caldas, o ‘JHC’. Filiado ao MDB, ele foi secretário estadual de Segurança Pública até 2022, por convite do governador Renan Calheiros Filho (MDB).
Nas eleições de 2022, por desavenças com o ex-governador, ele decidiu deixar o partido e se filiar ao União Brasil, quando foi eleito deputado federal pelo estado de Alagoas. Em abril deste ano, ele aceitou um convite feito por Flávio Bolsonaro para se filiar ao PL.
Acusações graves
Após denúncia feita em março deste ano, Alfredo Gaspar passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) pelo crime de estupro de vulnerável, acusado de abusar de uma menina de 13 anos. O pedido de apuração foi realizado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT- RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), após desentendimentos entre os parlamentares na CPMI do INSS, onde Gaspar foi relator.
No Supremo Tribunal Federal (STF), quem relata o caso é o ministro Gilmar Mendes. Segundo o magistrado, a PF aguarda posicionamento da Procuradoria-Geral da República para dar andamentos às apurações.
Em posicionamento divulgado nas redes sociais, Gaspar declarou que está disponível para esclarecer qualquer apuração dos policiais federais. Em vídeo compartilhado pelo parlamentar, uma mulher, que se disse a suposta vítima do estupro, desmentiu as acusações.
Além do suposto abuso sexual, Alfredo Gaspar é investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre possíveis desvios de emendas parlamentares e falta na prestação de contas. Em defesa, ele declarou que as verbas foram usadas dentro da regularidade.