A Corregedoria-Geral da Polícia Civil (CGPOL) informou nesta sexta-feira (26) que instaurou um procedimento disciplinar para apurar a ocorrência que terminou com o delegado Jan Marcel Paschoal Mertens baleado após trocar tiros com policiais civis em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, na última quarta-feira (24). O delegado permanece internado e deverá passar por nova cirurgia.
Após ser baleado durante o tiroteio, o delegado recebeu os primeiros socorros dos próprios policiais civis, que aplicaram um torniquete para conter o sangramento até a chegada da equipe médica. Em seguida, ele foi levado ao Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no bairro Fonseca, em Niterói, e posteriormente transferido para o Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), em São Gonçalo.
Nesta quinta-feira (25), Jan Mertens foi submetido à avaliação da equipe multidisciplinar do Centro de Trauma e realizou exames de imagem e clínicos. Segundo o hospital, ele sofreu uma fratura exposta na perna esquerda e ferimentos na perna direita, sendo submetido a cirurgia.
Nesta sexta-feira (26), a direção do Hospital Estadual Alberto Torres informou que o estado de saúde do delegado é estável. Neste sábado, no entanto, ele será submetido a uma nova cirurgia ortopédica (cirurgia definitiva), com provável alta médica no domingo, informou a unidade em nota.
Relembre o caso
Segundo a Delegacia do Centro de Niterói (76ª DP), o delegado dirigia um carro, modelo Jeep Commander, e ultrapassava pela contramão veículos parados em um semáforo no bairro Ingá, quando foi abordado por policiais civis que atuavam em diligências, nas proximidades da comunidade do Estado.
Na esquina das ruas Fagundes Varela e Paulo Alves, os policiais perceberam o veículo, com vidros cobertos por películas escuras perto do sinal de trânsito. Como fez a ultrapassagem entrando, incorretamente, na pista de mão oposta recebeu ordem de parada.
Tiroteio
Lotado na 19ª DP (Tijuca), o delegado teria interpretado a abordagem como uma falsa blitz e efetuado diversos disparos através do para-brisa do veículo contra os policiais, conforme a ocorrência. Os agentes reagiram, dando início a uma intensa troca de tiros que assustou moradores da região e atingiu imóveis na rua.
Mesmo ferido, após os disparos, o delegado ainda conseguiu deixar o local dirigindo o veículo, mas foi perseguido pelos policiais. Cerca de 500 metros adiante, ele foi encontrado caído no chão, com ferimentos provocados por tiros nas duas pernas.
Ainda segundo a Polícia Civil, os próprios agentes prestaram os primeiros socorros ao delegado até a chegada do atendimento médico.
Prédios atingidos e pessoas se jogando no chão
O tiroteio deixou um cenário de tensão no bairro. Um dos disparos atingiu a vidraça de um edifício, destruindo parte da estrutura. Outro projétil acertou a pilastra de um prédio localizado nas proximidades.


“O fato ocorreu por volta das 22h. Foram vários tiros e uma explosão. Acredito que esse barulho tenha sido quando a bala atingiu o vidro do prédio. Tinha um carro branco com a bandeira do Brasil. O policial estava com roupa comum e mandou o carro parar. O motorista parou e efetuou disparos”, relatou um morador que preferiu não se identificar.
Outro morador contou que, inicialmente, pensou que os estampidos fossem fogos de artifício.
“Começou muito tiro, mas era muito perto. Pelo reflexo nos prédios, achei que fossem fogos, por causa dos clarões. Depois percebi que eram disparos. Foram uns 10 ou 11 tiros, mais ou menos.”
Segundo ele, diversas pessoas que aguardavam o sinal abrir abandonaram os veículos e se jogaram no chão para tentar se proteger: “Quando olhei para o sinal, vi várias pessoas que estavam dentro dos carros deitadas no chão por causa do tiroteio”.
O morador também criticou a condução da ocorrência.
“Achei muito imprudente começar um tiroteio em uma área movimentada. Um dos tiros acertou o meu prédio. Se alguém estivesse entrando naquele momento, poderia ter sido atingido na cabeça”.
Uma moradora que vive na região há mais de 25 anos afirmou que, em um primeiro momento, acreditou que se tratasse de um assalto.
“Foram muitos tiros. Nós pensamos que fosse um assalto. Depois soubemos o que realmente aconteceu. Nunca vimos uma situação como essa aqui. É uma região muito tranquila”, disse ela, que também preferiu não se identificar.