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Segurança Pública

Da disputa territorial à falta de inclusão: os desafios que atravessam a segurança pública no RJ

Redação | Publicado em: - Atualizado 4 dias atrás

Segurança público no Rio
Especialistas acreditam que apenas operações não são suficentes para resolver a questão da segurança pública no estado. Foto: Rede Social

Por João Alves e Tiago Souza


Quatro anos se passaram e novas eleições chegaram para definir o novo governador que comandará o estado do Rio de Janeiro até 2030. Diante dos temas que pairam sobre a sociedade fluminense eleição após eleição, um deles se mantém no centro do debate sobre as políticas públicas que fazem falta no estado: a segurança pública. Um desafio complexo, já que o crime organizado se comporta de diferentes formas nos mais de 90 municípios da unidade federativa.

As dificuldades são diversas. O próximo governador do Rio terá que lidar não apenas com a segurança em territórios dominados pelo crime organizado, mas também garantir proteção em regiões conflagradas pela desigualdade social e livre circulação de drogas e armas. Além disso, um dos principais desafios será planejar uma política que mantenha a presença do poder público em áreas tomadas pelo crime, mesmo após investidas policiais.

Acontece que, no estado do Rio, a criminalidade não apresenta uma única realidade. Desde 2022, registros de roubo, por exemplo, vêm caindo em diversos municípios, mas ganhando força em outros.

No Leste Fluminense, a comparação direta revela essa diferença, principalmente quando apoiada pelos dados oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP). O caso é bem ilustrado na cidade de São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do estado, onde o número chegou, em 2022, a 6.386 registros de roubo. Esse índice caiu em 2023, mas voltou a subir nos anos seguintes. Até julho de 2026, foram 2.974 ocorrências.

Em contrapartida, municípios vizinhos como Niterói, Itaboraí e Maricá registraram queda significativa, com número de registros cada vez mais baixo. O melhor resultado em longo prazo entre eles foi Itaboraí, onde o número de 1.006 ocorrências em 2022 reduziu para 579 no ano passado. Até julho deste ano, foram 392 casos na cidade.

A análise dos dados revela que reduzir a criminalidade é possível, mas mantê-la reduzida é uma tarefa complexa. Visto que esses resultados podem variar muito de um município para o outro, o próximo governador do Rio tem o desafio de transformar as reduções pontuais, conquistadas principalmente pelos esforços municipais, em uma política de segurança eficaz, capaz de mostrar resultados consistentes em todo o estado.

Soluções municipais na ausência do estado

Para compreender melhor a magnitude dos problemas que a segurança pública enfrenta no estado, foram questionadas as prefeituras de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, além da própria cidade do Rio. Entre elas, apenas duas gestões, Niterói e São Gonçalo, se posicionaram.

Sobre a abordagem que cada administração tem utilizado na garantia da segurança pública, foram notados dois temas em comum: a preocupação com o monitoramento do crime e o fortalecimento dos agentes que estão nas ruas.

Políticas que expressam bem a necessidade dos municípios de monitorar como o crime se comporta nas ruas, em Niterói e São Gonçalo, se mostram por meio da implementação e ampliação do sistema de câmeras de segurança em ambos os municípios.

São Gonçalo

Em São Gonçalo, por exemplo, a prefeitura destacou a criação da Central de Segurança de São Gonçalo (CSSG), que possibilita o uso de mais de 400 câmeras, inclusive com reconhecimento facial, para os agentes de segurança.

Também foi ressaltada a criação do grupamento armado da Guarda Municipal e a integração com o Batalhão da Polícia Militar na região, que serviram como tentativas para intensificar a atuação dos agentes em ocorrências e operações dentro da cidade.

Niterói

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São quase 930 câmeras espalhadas pela cidade, com equipamentos que fazem a leitura de aproximadamente 30 milhões de placas de veículos por mês. Foto: Ascom Niterói

Já Niterói citou o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), que também atua por meio de câmeras e monitoramento. Ao todo, segundo a prefeitura, são quase 930 câmeras espalhadas pela cidade, com equipamentos que fazem a leitura de aproximadamente 30 milhões de placas de veículos por mês.

Pela diversidade e detalhamento que o Cisp oferece no monitoramento, foi informado que as câmeras subsidiam investigações da Polícia Civil, operações da PM, apurações da Polícia Federal (PF) e processos do Poder Judiciário.

Além disso, para o fortalecimento da força de segurança pública no município, a gestão atual reforçou que trabalhou nos últimos anos para atender às demandas das polícias Militar e Civil, atuando na reforma de unidades de polícia e no investimento direto nas corporações.

Segundo a prefeitura, em 2026, o convênio do Regime Adicional de Serviço (RAS) da Polícia Civil foi ampliado. O investimento anual passou de R$ 4,5 milhões para R$ 7 milhões, permitindo o pagamento de gratificação a cerca de 800 policiais civis para reforçar o trabalho das delegacias de Niterói. Somado à inauguração da nova Cidade da Polícia, que integrou o funcionamento de diversas delegacias, o investimento teria chegado a R$ 10 milhões.

Também foi informado que Niterói mantém convênio com o Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis), que permite o emprego de PMs em horários de folga, com remuneração custeada pelo município. O novo termo aditivo prevê investimento de R$ 36,2 milhões e atuação planejada em nove microrregiões da cidade, permitindo direcionar o policiamento conforme as demandas de cada território.

Tráfico, Milícia e o Narcotráfico

Mais do que enfrentar crimes isolados, o próximo governo terá de se preparar para enfrentar facções, que cada vez mais avançam nas formas de se organizar e no acesso a armamento e tecnologia a favor do crime. A disputa por territórios, um problema antigo no estado fluminense, passou também a ditar a vida de comerciantes, prestadores de serviço e, principalmente, moradores.

O problema deixou de estar restrito ao tráfico de drogas. Grupos criminosos passaram a disputar mercados e estabelecimentos, interferindo em atividades econômicas e impondo novas regras à população, como o controle do acesso à internet, que vem se tornando um problema grave no Leste Fluminense.

Um episódio recente em Itaboraí ilustra esse tipo de constrangimento. Em agosto, um grupo armado invadiu um condomínio para obrigar moradores a contratar um serviço clandestino de internet ligado ao tráfico local. O caso está sendo investigado e mostra como a criminalidade pode ultrapassar o comércio de drogas e transformar o morador em refém no cotidiano.

Recentemente, denúncias de moradores e comerciantes revelaram um esquema criminoso de controle de comércio e operação de internet em bairros de São Gonçalo. Em Niterói, na última semana, uma operadora de telefonia e internet registrou ocorrência policial acusando criminosos de sabotagem ao ter cabos rompidos para impedir a distribuição do serviço e obrigar moradores a adquirir a internet permitida pelo crime organizado que atua na região. Segundo a operadora, 1.500 famílias foram afetadas.

  • Para o próximo governador, combater esse tipo de estrutura exigirá mais do que operações policiais pontuais. Será necessário identificar lideranças, interromper fluxos financeiros, investigar empresas e atividades utilizadas por organizações criminosas, garantindo a permanência do poder estadual depois das investidas policiais.

Enxugando gelo

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Polícia atuando em comunidade de São Gonçalo. Foto: Arquivo / Lucas Alvarenga / Enfoco

Em meio à disputa territorial, as forças policiais aparecem como terceiro combatente na guerra contra o tráfico. Nesse ponto, o estado padece, historicamente, de falta de efetividade em manter o poder público em áreas conflagradas, mesmo após a realização de inúmeras operações.

Até hoje, o desafio aparece como proposta entre os candidatos ao Governo do Rio. Coronel Busnello, por exemplo, candidato do Missão, propõe uma estratégia de retomada territorial dividida entre inteligência e asfixia financeira, intervenção operacional e consolidação da presença estatal.

Assim como ele, Douglas Ruas, candidato do Partido Liberal (PL), propõe aumentar a inteligência, integrar as forças de segurança e investir em tecnologia e valorização dos profissionais.

Já Eduardo Paes, candidato pelo Partido Social Democrático (PSD), propõe combater as milícias e facções com uma polícia mais preparada e com ênfase na investigação criminal.

Município, Estado e União

A criminalidade não respeita limites administrativos. Um criminoso pode atuar em um município, esconder armas em outro, utilizar uma terceira cidade para movimentar dinheiro e atravessar diferentes áreas metropolitanas para escapar das forças de segurança. Por isso, uma política estadual isolada tem limitações.

A discussão nacional sobre segurança caminha para uma maior coordenação entre União, estados e municípios. Na última quarta-feira (2), a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o texto-base da PEC da Segurança Pública, que busca fortalecer a coordenação federativa e constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). A proposta ainda depende das demais etapas de tramitação.

  • No Rio de Janeiro, isso significa que o próximo governador terá de ampliar a integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, órgãos de inteligência, municípios e instituições federais.

Confiança da população abalada

Mesmo em municípios do Leste Fluminense onde os indicadores melhoram, a sensação de insegurança parece permanecer. É o que aparece nos relatos de moradores da região.

O porteiro Thiago Hipólito, de 42 anos, afirma perceber uma piora na segurança e cobra maior presença do poder público.

Cidadão do Rio de Janeiro participando da reportagem.

“Eu vejo que piorou a segurança, principalmente aqui em Itaipuaçu (Maricá). A única coisa que eu vejo é que a gente não tem mais a tranquilidade que tinha antigamente. Na minha visão, a segurança pública vem caindo bastante”, relatou.

O metalúrgico aposentado Júlio César Marques, de 63 anos, também associa a sensação de falta de segurança a uma experiência pessoal, relatando uma tentativa de assalto que sofreu.

“A segurança pública no estado do Rio é precária. Eu mesmo já sofri uma tentativa de assalto em São Gonçalo, tentaram levar o meu cordão. A gente luta pra caramba para comprar as coisas e vem um ladrão e tentar roubar. Eu espero que o próximo governador invista mais em segurança’, contou.

Para o aposentado José Cysneiros, de 73 anos, o problema é ainda mais amplo.

Outro cidadão do Rio de Janeiro participando da reportagem.

“De modo geral, eu vejo a segurança pública no Rio de forma muito preocupante. A insegurança reina mais não é de hoje, vem se agravando a cada dia. Eu acho que a ausência constante do poder público agrava essa situação. Eu espero que as prioridades sejam realmente as classes menos favorecidas’, disse.

Os depoimentos apontam para a insatisfação persistente da população mesmo com a diminuição das estatísticas sobre o crime proporcionais, principalmente, pela atuação dos municípios que acabam assumindo responsabilidades de atribuição estadual. Apesar da queda nos registros de roubos ser uma das primeiras etapas na melhora da segurança pública, a falta de percepção da população sobre as estatísticas pode ser tornar uma barreira complexa nesse avanço.

  • Diante da frustração com as políticas públicas, o próximo governador deverá se preocupar também em garantir que moradores voltem a circular, trabalhar e acreditar nos espaços públicos sem medo.

Do outro lado, a rotina da polícia

Em paralelo à insatisfação dos cidadãos, policiais que atuam na segurança pública também se veem presos em um sistema que não recompensa quem vai às ruas todos os dias.

Agentes de segurança ligados às polícias Militar e Civil fazem depoimentos sensíveis de cotidianos sobre as operações na institução.

Para preservar a segurança, a identificação dos servidores será preservada nesta reportagem.

Há mais de 20 anos atuando pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, um agente público informou que a corporação ainda não possui meios adequados para investigação:

As intimações, por exemplo, são feitas por telefone, quando há linha funcionando na delegacia. Se a pessoa não for localizada ou simplesmente não atender, tem que intimar pessoalmente. Aí falta gente pra levar o papel. Se morar em área de risco, nunca é intimada”

Já um policial militar com atuações em diferentes batalhões da Região Metropolitana do Rio, destaca a falta de visibilidade que a saúde mental do profissional possui dentro da própria corporação.

“A polícia não tem uma escala fixa hoje. Temos 24×48, 12×36, 24×72. Temos escala de expediente, de segunda à sexta, 8 horinhas, igual CLT. Não tem uma coisa padronizada e nós que trabalhamos nas escalas como a 24×48, por exemplo, somos entupidos de serviço compulsório. Não temos qualidade de vida. Isso é algo que precisa ser revisto. Tem muito policial que falta de maneira proposital porque não suporta. A saúde mental do policial não é vista”, disse o PM.

O militar também aponta para as condições precárias das estrututas.

As condições de trabalhos das bases, as viaturas, muitas vezes, o próprio policial tem que tirar do próprio bolso para realizar as manutenções. Tentamos enviar para a manutenção, mas nunca tem horário, nunca tem peça. Quando arrumam outra viatura é pior que a anterior. Já rodei até em viatura sem freio”

Apesar dos relatos sobre a corporação, ele aproveitou a oportunidade para elogiar os colegas de trabalho e as equipes por onde passou.

“Só trabalhei com policiais muito justos e equipes que se desdobram para extrair o melhor das piores condições. Jogam a gente em condições ruins, banheiro sem manutenção, ar-condicionado que às vezes não funciona. Tudo tem que melhorar, desde a saúde e qualidade de vida do profissional até o restante”, conclui.

  • Para o próximo governador do Rio de Janeiro, será necessário entender que o policial também é um cidadão, que sofre de frustrações e que precisa de atenção, além das cobranças por melhora.

Qual proposta eles têm para oferecer?

Diante dos inúmeros e complexos desafios, cada candidato a assumir o Governo do Estado em 2027 apresenta uma abordagem diferente do modelo de segurança pública no Rio de Janeiro, alguns com propostas bem semelhantes.

Cyro Garcia, candidato do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), e Juliete Pantoja, do Unidade Popular (UP), defendem mudanças radicais que afetam a estrutura do funcionamento das forças de segurança, incluindo a desmilitarização das polícias.

Para ambos, o fortalecimento da inteligência e a redução das operações policiais — vistas por eles como violentas — são o caminho para melhorar a segurança no estado.

Cyro Garcia também propõe a construção de uma Polícia Civil única e defende mudanças nas políticas sociais para apoiar o combate à violência.

Juliete Pantoja também defende alterações na formação e seleção dos agentes, maior fiscalização sobre armas e munições e mudanças na atuação policial em comunidades.

Na outra ponta do debate, propostas como as do Coronel Busnello (Missão) e de Douglas Ruas (PL) dão maior destaque à retomada territorial, à presença permanente do Estado, à inteligência e ao enfrentamento direto do crime organizado.

Anthony Garotinho, ex-governador do Rio e candidato do Republicanos, também fala em mudar os setores de inteligência e investigação nas propostas, como forma de aumentar a repressão em locais de atuação do crime organizado. Garotinho, inclusive, comenta sobre a criação de um “Bope 2.0” para realizar ocupações prolongadas nos territórios.

O empresário André Marinho, candidato do Novo, amplia a discussão para os impactos econômicos da violência, argumentando que a insegurança afeta investimentos, atividade empresarial e geração de oportunidades.

Candidato do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), William Siri também propõe fazer uma mudança na abordagem da segurança pública, com foco na reorganização das estratégias de combate ao crime, privilegiando ações contra a violência e políticas de prevenção.

Eduardo Paes (PSD), além do incentivo à inteligência e à investigação, também colocou como compromisso de um possível mandato romper as ligações do crime organizado com as esferas de poder do estado. “O tempo em que o Estado foi seu sócio acabou”, disse o ex-prefeito da capital.

Luan Monteiro, candidato do Partido da Causa Operária (PCO), não colocou no plano de governo propostas diretas para o combate ao crime, mas comentou sobre dissolver completamente a Polícia Militar, alegando que os agentes de segurança pública são responsáveis diretos pela morte de negros, trabalhadores e outras minorias fluminenses.

A prevenção como política de combate

A repressão contra o crime não é tudo, mas apenas uma parte da equação. Os planos de governo de parte dos candidatos também apresentam diferentes propostas para enfrentar as condições sociais associadas à violência.

Garotinho, por exemplo, combinou repressão e prevenção social nas propostas, citando a criação de programas como “Jovens pela Paz” e “Reservistas da Paz”.

Já André Marinho aposta em relacionar a segurança com o desenvolvimento econômico do estado como porta de saída do jovem do mundo do crime.

Outros candidatos apostam em políticas sociais, participação comunitária e mudanças na relação entre Estado e territórios vulneráveis.

Mas, afinal, qual é a solução para combater o crime no RJ?

A fim de debater o tema e as propostas que os candidatos ao Governo do Estado apresentaram, o advogado e professor de Direito Penal e Criminologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Daniel Andrés Raizman, comenta sobre possíveis soluções para a segurança pública no estado do Rio. Especialista no tema, o argentino se formou em Direito em Buenos Aires e realizou mestrado e doutorado no Brasil.

“O que define o fracasso ou sucesso de uma política de segurança pública, a rigor, é a redução das ocorrências. Isso é uma consequência de uma política de Estado, não exclusiva de uma questão penal, mas na forma como o Estado participa na sociedade na solução de conflitos. Não adianta propor como solução para o crime o uso da força ostensiva. É necessária a presença do Estado em políticas de inserção social dos homens em atividades escolares, esportivas e da juventude no desenvolvimento da comunidade”, comentou Raizman.

O Estado tem que oferecer à juventude alternativas sociais mais atraentes do que oferecem o tráfico e a milícia”,Daniel Andrés Raizman, Univeridade Federal Fluminense (UFF).

Quando questionado o por que municípios, como São Gonçalo, não conseguem manter um número reduzido de roubos e furtos, o especialista afirmou que a dimensão geográfica de algumas cidades dificulta o controle sobre a atuação do poder público e o crime organizado.

“Comunidades com encostas, corredores, tornam muito difícil o controle do poder público. Onde o Estado está ausente, as ocupações do crime organizado, o tráfico e a milícia, acabam sendo fomentados. Ao mesmo tempo, a densidade populacional coloca um maior desafio no Estado para enfrentar esse problema. No nosso estado, temos grandes regiões que não são visibilizadas pelo poder público. São esquecidas. É por isso que esses espaços se tornam férteis para a proliferação das associações criminosas’, contou.

Para Daniel Raizman, o problema da segurança pública não é exclusivo dos municípios, estados ou regiões, mas sim uma questão nas fronteiras brasileiras. Visto o alcance que a circulação de armamento e drogas possui atualmente, o advogado defende um projeto de integração das forças policiais: municipais, estaduais e do Governo Federal.

“A capitalização de alguns grupos é tão grande, que a integração e troca de informações é fundamental, assim como o controle do território. Hoje, o avanço da tecnologia, como a Inteligência Artificial (IA), pode ser uma ferramenta útil para controlar o espaço, sem precisar contar com o agente na rua. E, mesmo assim, não será o suficiente. Precisamos incluir na nossa sociedade essa população que está mais invisível”, contou.

O especialista argumentou que a insistência em propostas que abrangem a intensificação das forças policiais se tornou uma tendência após o mandato de Wilson Witzel, mas que a medida não é o caminho correto para trazer solução ao Rio de Janeiro.

A partir do Governo Witzel (2019-2021), e depois com Castro (2021-2026), tem se proposto como solução para os problemas de segurança uma intervenção mais incisiva do Estado, o que tem gerado um aumento muito grande da letalidade policial. Só se matam pessoas e se atingem uma comunidade, mas a questão não se resolve. O que mudam são as pessoas que compõem esses grupos, mas eles continuam ocupando os mesmos espaços. Isso demonstra que a letalidade oferece mortes, mas não soluções para as questões de segurança’, disse”, — Daniel Andrés Raizman, Univeridade Federal Fluminense (UFF) .

Por fim, o especialista afirma que a busca por soluções no estado fluminense começa no incentivo do uso do poder público para criar políticas de inclusão que ofeceram sentido ao cidadão cujo a única referência é o crime organizado.

“Você tem que incluir as pessoas dentro de um projeto social do Estado para que elas possam se desenvolver. Esse é o sentido do Estado existir. A essência dele é atuar para manter nossos direitos’, concluiu Daniel Raizman.

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