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Segurança Pública

‘Ele sumiu e eu fui presa’: empresária de São Gonçalo diz que não sabia de carga de Mounjaro em ônibus

Ezequiel Manhães | Publicado em: - Atualizado 3 meses atrás

Conhecida por milhares de clientes em São Gonçalo e em outras cidades da Região Metropolitana do Rio por transportar mercadorias do Brás, em São Paulo, a empresária Cristiane Pinna, de 55 anos, dona da Tatá Fashion Viagens, viveu um pesadelo nesta semana.

Ela foi presa após uma carga de Mounjaro, medicamento de venda controlada, ser encontrada em um dos ônibus da empresa na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), mesmo sem estar no veículo no momento da abordagem. Segundo Cristiane, o verdadeiro dono da encomenda teria agido de “má-fé”.

A abordagem aconteceu na última segunda-feira (21), quando um ônibus da empresa foi parado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante uma fiscalização na altura de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Dentro de uma caixa, os agentes encontraram dezenas de embalagens de Mounjaro escondidas entre aparelhos de TV Box – dispositivos conectados à entrada HDMI que transformam televisores comuns em Smart TVs.

Cristiane contou que não acompanhava a viagem naquele dia porque estava resolvendo assuntos da empresa. Ao saber da apreensão, foi até a Polícia Federal, na Praça Mauá, no Centro do Rio, para prestar esclarecimentos como responsável pelo negócio, mas acabou presa em flagrante.

“Eu liguei para ele [dono da encomenda] na frente da delegada e dos policiais dizendo que ele precisava comparecer lá. Então quer dizer: instruíram ele que se fosse seria preso, porque era dono da carga, e ele não foi. E eu acabei assumindo tudo. Fui presa como uma criminosa, indo para presídio, passando esse constrangimento todo e agora respondendo. Tive o alvará de soltura, mas vou responder em liberdade. Estou em situação complicada, porque ainda vou ter que provar que sou inocente. Eu não tenho nada com isso e acabei assumindo uma coisa que não é minha”, desabafou em entrevista ao ENFOCO.

A empresária afirma que trabalha há anos transportando passageiros e encomendas entre São Paulo e o Rio de Janeiro e que nunca soube do conteúdo das embalagens fechadas enviadas pelos clientes.

Segundo ela, o remetente teria escondido propositalmente as caixas do medicamento em meio a outros produtos para evitar qualquer suspeita.

“Ele fez de má-fé. Pegou uma caixa grande, colocou vários TV Box e espalhou as caixinhas de Mounjaro no meio. Sabia que eu não aceitava esse tipo de mercadoria. Eram cerca de 180 doses”, afirmou.

Cristiane disse que já havia alertado publicamente que sua empresa não faz o transporte desse medicamento. Ela conta que, inclusive, chegou a devolver outras encomendas após desconfiar do conteúdo.

“Na semana do Carnaval eu gravei um vídeo dizendo que não queria que ninguém mandasse Mounjaro comigo porque eu sabia que era proibido. Semana passada mesmo minha sobrinha desconfiou de uma encomenda e devolvemos tudo”, afirma.

Após ser encaminhada à sede da Polícia Federal, na Praça Mauá, no Centro do Rio, Cristiane foi transferida para o presídio feminino de Benfica, na Zona Norte da cidade, onde permaneceu até conseguir um alvará de soltura no final da tarde de quarta-feira (22). Agora, ela responderá ao processo em liberdade. A empresária descreveu a experiência como traumática.

“Eu nunca imaginei passar por aquilo. Só tinha visto em filmes. O barulho das grades abrindo não sai da minha cabeça. Não consegui comer, não consegui dormir. Foi horrível”, relembra.

Mesmo fora da prisão, ela afirma que a situação mudou completamente sua rotina:

“Agora eu tenho várias restrições. Estou gastando dinheiro com advogado e ainda vou ter que provar que sou inocente”, reforça.

Após o caso, Cristiane anunciou que a empresa dela passará a adotar um controle mais rígido para o transporte de mercadorias. Segundo ela, todos os clientes terão que realizar cadastro com CPF, telefone e endereço antes de enviar qualquer encomenda. Além disso, cada volume receberá uma etiqueta com a identificação completa do remetente.

“A partir da semana que vem ninguém mais vai mandar encomenda só falando de boca. Tudo vai ficar identificado para evitar que uma situação como essa volte a acontecer”, esclareceu.

Cristiane afirma ter reunido fotos, áudios, comprovantes de pagamento e mensagens que, segundo ela, comprovam quem seria o verdadeiro proprietário da carga. Todo o material, de acordo com a empresária, já foi apresentado à defesa e deverá ser utilizado durante a investigação.

A reportagem procurou a Polícia Rodoviária Federal para obter detalhes da ocorrência e aguarda retorno.

Ezequiel Manhães

Jornalista com experiência em hard news e produção audiovisual, tendo como foco reportagens factuais, especiais e conteúdos multimídia. Atua com rapidez, comprometimento e precisão na apuração, tendo como destaques coberturas de temas como política, economia, cidades, segurança pública e comportamento. LinkedIn: @ezequiel-manhães-b073921b3

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