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Baleado na BR-101, Justiça, Família, Boaçu, São Gonçalo
Familiares a amigos pedem justiça pela morte de Alan. Foto: Péricles Cutrim

“Eu queria era meu filho aqui, trabalhando, eu me preocupando com ele”. A frase é de dona Maria Luisa de Souza do Carmo, mãe de Alan de Souza Nascimento, de 38 anos, morto após ser baleado na BR-101, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, na madrugada de sábado (21). Em meio à dor, ela cobra justiça e rapidez nas investigações.

Segundo a família, Alan trabalhava em uma lanchonete e voltava para casa quando o carro em que estava foi abordado por criminosos que tentavam realizar um arrastão na rodovia, na altura do bairro Boaçu.

Dona Maria contou que soube da morte do filho de forma gradual, após familiares tentarem poupá-la do impacto da notícia.

“Eu fiquei sabendo pela menina que teve coragem de me contar. Estavam me enrolando, cada um falava uma coisa. Diziam que ele tinha passado mal, depois que era acidente. Esperaram meu outro filho chegar para contar”, relatou.

Mãe garante que filho era integro e trabalhador

Dona Maria Luisa de Souza do Carmo, mãe de Alan de Souza, morto na BR-101
Dona Maria Luisa de Souza do Carmo, mãe de Alan de Souza Nascimento, de 38 anos, morto após ser baleado na BR-101. Foto: Péricles Cutrim

“Quem morreu foi um trabalhador, um menino bom, um ótimo filho. Eu criei dois filhos na maior dificuldade, com muita responsabilidade. Eu sou uma mãe guerreira. Eu queria era meu filho aqui”Maria Luisa, mãe de da vítima morta a tiro em São Gonçalo.

A mãe afirma ainda que não sabe quem foi o responsável pelos disparos, mas exige responsabilização.

Segundo uma testemunha, que estava no carro e preferiu ter a identidade preservada, eles foram abordados por criminosos e, em seguida, Alan foi baleado nas costas assim que policiais militares chegaram.

“A gente estava vindo do trabalho. Os criminosos estavam rendendo dois motociclistas e, assim que nos aproximamos, eles nos renderam também. Falaram que não iriam fazer nada, só pediram para parar o carro atravessado na pista. Nesse momento, um dos criminosos disse que os policiais estavam se aproximando. Os policiais chegaram atirando, e nós saímos do carro e deitamos no chão. Alan caiu com o rosto no asfalto, ele havia sido baleado nas costas. Os criminosos fugiram, e os policiais estavam falando que nós éramos criminosos. Depois que eles viram que se tratava de trabalhadores. O corpo dele ficou até as 5h no local.”

O irmão da vítima, Luan de Souza Nascimento, contou que estava em Niterói quando recebeu mensagens da mãe durante a madrugada.

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Luan de Souza Nascimento, irmão de Alan, estava em Niterói, quando soube do ocorrido. Foto: Péricles Cutrim

“Ela disse que ele tinha passado mal e sido levado para o hospital. Depois falaram que podia ser acidente. Ninguém queria contar a verdade até eu chegar”, afirmou.

Luan disse que confirmou a morte do irmão após falar com o pai de um amigo que estava com Alan no momento do ocorrido.

Ele relatou ainda que evitou contar imediatamente à mãe, que tem problemas de saúde, para evitar um agravamento do estado emocional dela.

O que diz a polícia?

A Polícia Militar negou a versão da testemunha ao afirmar que indivíduos realizavam assaltos e, ao perceberem a aproximação da equipe, efetuaram disparos de arma de fogo contra os policiais, resultado na troca de tiros. Ao cessar dos tiros, os envolvidos fugiram.

Ainda segundo a PM, os policiais localizaram Alan ferido. Ele foi socorrido em direção ao Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo. Durante o trajeto uma ambulância que passava pela via iniciou os primeiros atendimentos, mas o homem não resistiu aos ferimentos e veio a óbito.

A Polícia Militar garante ainda que foi constatado que o Alan possuía anotações criminais por roubo e lesão corporal.

Já a Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), responsável pela caso, esclareceu que a perícia foi realizada no local e as equipes seguem com diligências, incluindo coleta de depoimentos e análise de elementos informativos, para esclarecer as circunstâncias do fato.

Quanto à versão mencionada, a polícia afirma que ela não foi apresentada formalmente pelas testemunhas em sede policial. Diante disso, os envolvidos serão novamente intimados para prestar esclarecimentos complementares.

Tiago Souza

Tiago Souza

Atuante no jornalismo desde 2014, acumulando experiências em diferentes meios de comunicação, como TV, rádio e portais de notícias. Possui facilidade para escrever em diferentes editorias, com destaque para pautas policiais e factuais no hard news. LinkdIn: @tiago-souza-21b29919a/