Um suposto esquema de golpes envolvendo imóveis em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, acendeu o alerta entre corretores, empresários e proprietários. Criminosos estariam “empilhando” cópias de contratos particulares de compra e venda de propriedades sem concluir as transações, após terem acesso a documentos pessoais, dados empresariais e até à rotina das vítimas.
Um dos casos envolve imóveis avaliados em mais de R$ 10 milhões, na Região de Pendotiba. A investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil, após registro de ocorrência na Delegacia de Jurujuba (79ª DP), como medida assecuratória de direito futuro, que funciona como uma medida cautelar para bloquear ou preservar bens durante a investigação.
A medida evita que o patrimônio seja vendido ou transferido antes da conclusão do caso e garantindo, ao final do processo, a possibilidade de reparação ou cumprimento de eventual decisão judicial.
Segundo informações obtidas pelo ENFOCO, os suspeitos visitaram imóveis da região em meados de abril deste ano e, dias depois, formalizaram interesse na compra. No fim do mesmo mês, contratos particulares de compromisso de compra e venda chegaram a ser assinados prevendo pagamento de sinal em até 24 horas, o que não ocorreu.
Uma das negociações teria sido conduzida pela Luís Imóveis, uma das imobiliárias mais tradicionais da Região Oceânica, que também teria sido alvo dos supostos golpistas. Questionada sobre o caso por ligações, mensagens e e-mail, a empresa ainda não se manifestou.
O episódio gerou críticas nos bastidores do mercado imobiliário de alto padrão, com questionamentos sobre a ausência de diligências prévias mais rigorosas antes da apresentação dos compradores e do possível compartilhamento de informações sensíveis.
Trio suspeito
De acordo com relatos, o trio acusado é formado por um casal e um homem que se apresentam como sócios e amigos. O homem apontado como comprador principal teria sido o responsável por assinar os contratos durante as negociações.
Durante o processo, diz a queixa, documentos pessoais e informações estratégicas teriam sido compartilhados com os suspeitos.
“CNH, comprovantes de residência, dados dos imóveis, matrículas e registros imobiliários (RGI)”, revelou uma vítima, que optou pelo anonimato.
Outros documentos considerados sensíveis em negociações de alto padrão também estão inclusos.
“Agora eles têm o contrato de compra e não sei o que podem fazer com isso. Aplicar golpes em terceiros e etc… são muitas hipóteses”, diz a vítima, preocupada.
Desconfiança
Em um dos casos, a desconfiança surgiu após o não pagamento do sinal previsto contratualmente. Segundo relatos, após a assinatura dos contratos, desculpas passaram a se tornar rotina.
“Eram problemas no pagamento, problemas com o banco”, conta a vítima, sobre os argumentos usados pelo suposto comprador.
Imobiliárias na mira
Segundo uma das vítimas, corretores passaram a identificar negociações semelhantes envolvendo os mesmos suspeitos em diferentes imobiliárias de Niterói, o que levantou o alerta sobre um possível esquema articulado no mercado de imóveis de alto padrão.
O que diz a polícia
De acordo com a Polícia Civil, sobre o caso pontuado, ele foi registrado na tarde da última quarta-feira (20) na 79ª DP (Jurujuba), que apura os fatos.
‘Vale destacar que a Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio das delegacias, realizam trabalhos de inteligência e monitoramento de grupos criminosos que atuam na região’, diz a nota.
A instituição recomenda que as ocorrências sejam comunicadas nas delegacias para que os delitos sejam apurados a fim de identificar e responsabilizar criminalmente todos os envolvidos.